Brasília – A Marcha iniciada pouco depois das 10 horas com a saída do caminhão de som, só foi terminar por volta das 14h30, quando os manifestantes deram a volta na Esplanada e chegaram às barracas onde foi instalado o palco próximo a Rodoviária.
No percurso, grupos de capoeira e de batuques se alternavam, entre as faixas de caravanas. Um grupo de 40 ativistas da Cidade Tiradentes, zona leste de S. Paulo, que tem 80% da sua população de negros se destacou com uma faixa. O grupo era liderado por Artur Xavier, o único subprefeito negro de S. Paulo, que veio às próprias custas para apoiar o protesto. Outra faixa carregada por ativistas baianos dizia: “Chega de tudo pela metade/Basta de tudo pelo meio/Agora ou vai ou racha/Queremos tudo e inteiro”.
À frente, abrindo a Marcha mães e filhas e de santo de vários Estados com seus vestidos rodados e turbantes. “Reconhecimento do povo e das casas de matriz africana”, “Combate à intolerância religiosa”, diziam os cartazes. A Polícia Militar do DF acompanhou os manifestantes durante todo o percurso, entre os quais, o menino Kaiodê, de 11 anos, e que participou da Marcha em 1.995, quando tinha apenas um ano de idade.
Acompanhado da mãe da ativista do Movimento Negro gaúcho,Tânia Silva, de Porto Alegre, Kaiodê, que significa “aquele que traz paz e alegria”, dizia-se feliz depois de 40 horas de viagem de ônibus. “Eu nunca tinha visto tanto negro junto. Eu acho que nas novelas tem muito racismo porque só botam os negros para empregados domésticos”, comentou.
Um grupo de moças da Comunidade Baha’i do Brasil, com sede em Brasília, caminharam com a bandeira da campanha “Onde Você guarda o seu racismo”, lançada, no ano passado, no Rio, por entidades brancas anti-racistas.
Próximo ao prédio do Itamaraty, o senador Paulo Paim e o deputado Luis Alberto chegaram para saudar os participantes. Paim disse que a aprovação do Estatuto pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e que está para ser votado pela Câmara (veja matéria) é fruto da pressão do movimento negro e uma conquista da Marcha.
Pouco depois, Alzira Rufino, ao passar em frente ao Congresso recusava o Estatuto sem o Fundo para a implementação de políticas públicas. “Estatuto de Mané, nego não quer”, gritou a plenos pulmões.
Mãe Beata, já debaixo de uma chuva fina que não chegou a atrapalhar a caminhada do carro de som: “Nós não queremos tolerância. Queremos é respeito. Esse país é nosso. Queremos respeito”.
Em frente ao Congresso 300 cruzes forem fincadas para protestar pela morte de jovens negros. O deputado Vicente Paulo da Silva, Vicentinho, se juntou a Marcha, em frente ao Ministério da Justiça, e ouviu a vaia dos manifestantes ao Ministro Marcio Tomás Bastos, que até então não tinha decidido se receberia as lideranças. “A minha opinião é que deveria ter uma Marcha conjunta. Mas temos de respeitar as particularidades. Estou apoiando as duas”, afirmou.

Da Redacao