S. Paulo – Nomeada para o cargo pelo governador Cláudio Lembo, a pedido do ex-Secretário Hédio Silva Jr., a Secretária da Justiça, Eunice Prudente, virou as costas ao responsável por sua indicação, candidato a deputado federal pelo PFL. Ela ignorou todos os eventos da campanha, inclusive aos que o candidato compareceu em companhia do governador e do ex, Geraldo Alckmin, candidato tucano à Presidência da República.
Perguntada pela Afropress, na semana passada, sobre o apoio ao candidato, Prudente, tergiversou. Primeiro perguntou se o repórter era negro. Depois lembrou que todas as leis em favor da população negra desde a Lei contra a discriminação – a 7.716, a Lei Caó, do ex-deputado Carlos Alberto de Oliveira – até o Estatuto da Igualdade Racial – foram iniciativas de parlamentares negros.
E terminou por falar “da importância da presença da plebe nas assembléias da antiga Roma”.
O ex-Secretário Hédio não quis falar do caso. No seu comitê de campanha, os responsáveis, bem como sua assessoria mais direta, fazem silêncio a respeito.
O distanciamento de Prudente da campanha começou já no lançamento da candidatura, no dia 14 de julho, no buffet Roma, na Rua dos Franceses, evento que reuniu cerca de 3 mil pessoas.
Antes de se afastar do cargo, Hédio chegou a contrariar setores da subsecção da OAB/SP, que tinham outros nomes para substituí-lo, para assumir a defesa de Prudente na Justiça, entendendo que sua substituta deveria ser uma mulher negra, com o currículo da indicada – professora com prestígio na Academia e conhecida pelo Movimento Negro de S. Paulo.
Oficialmente, a posição da Assessoria de Comunicação da Secretaria da Justiça é que “como gestora pública, a Secretária mantém distância de todas as candidaturas, inclusive da candidatura do doutor Hédio”.

Da Redacao