Brasília – O que já se sabia informalmente tornou-se oficial: o PT decidiu assumir publicamente o patrocínio à Marcha Zumbi + 10 prevista para o dia 22/11, em Brasília, e em Resolução aprovada na semana que passou o Diretório Nacional do Partido orienta seus diretórios estaduais e municipais, governos municipais e estaduais, parlamentares e dirigentes partidários a “contribuir com a mobilização da Marcha Zumbi + 10 – Contra o Racismo, pela Cidadania e a Vida, que será realizada no dia 22 de novembro de 2005, Em Brasília”.
A Resolução não cita o Governo Federal nem a Seppir, nem fala como se dará a “contribuição”, nem quanto o Partido investirá em caravanas de militantes à Brasília, porém, a decisão está sendo vista como uma senha para investimento pesado da máquina partidária e sindical.
O protesto, que marca os 10 anos da primeira Marcha, em 1.995, divide o Movimento Negro em duas articulações distintas: a primeira, que defende maior autonomia e independência do Governo e do Estado que marchará dia 16/11; e a segunda liderada por entidades como a CONEN, UNEGRO e sindicatos da CUT, mais próximos à base governista, que defende o dia 22/11.
Para o advogado Humberto Adami, presidente do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara), do Rio de Janeiro, a decisão do PT representa o “aparelhamento do Estado tantas vezes denunciado”, como no caso do escândalo do mensalão que há mais de cinco meses ocupa as páginas dos jornais. “Preparem-se para as malas voadoras, de todas as formas. Avisem ao Marcos Valério”, ironizou. “É o aparelhamento do Estado tantas vezes denunciado. O Ministério Público de todo o Pais deve acompanhar tais iniciativas, em todos os Estados e municípios porque na verdade o dinheiro público está sendo utilizado para uma determinada posição, quando deveria estar sendo colocado para todos”, acrescentou.
Adami defendeu uma ação nacional para cobrar providências do MP. “A petição de acompanhamento do MP é simples e deve pedir a responsabilização civil e penal dos administradores públicos”, afirmou.
Para o advogado José Roberto Militão, do PSB – partido da base aliada do Governo Lula – a Marcha do dia 16/11 também conta com apoio de setores de partidos de oposição ao Governo. “Manifesto minha objeção a essa tentativa de demonizar qualquer iniciativa política conquistada pelos ativistas que se encontram no PT e partidos aliados”, afirmou. Para Militão as duas Marchas merecem igualmente ser respeitadas, ambas com seus respectivos patrocinadores, pois enfim, ambas significam com suas contradições, seus compromissos políticos, verdadeiras mobilizações dos negros brasileiros contrários ao status quo”, concluiu.

Da Redacao