Em um dia normal como em qualquer outro, um homem negro pai de familia acorda sem saber que seria aquele seu ultimo dia de vida. Sem saber desse fim, talvez, não tenha feito coisas importantes, dito as pessoas da sua importância, sem saber que sua  vida seria ceifada ao final desse dia.

Muitos podem pensar: "ninguém sabe quando vai morrer". Mas a quem não sabe quando vai morrer resta viver como se fosse o último dia, já a quem será assasinado é preciso entender e lutar contra as estruturas que propiciam e incentivam esses atos covardes.

Sim, é covardia socar e chutar uma pessoa até a morte, é assassinato pressionar seus pulmões com os joelhos até não ter ar, é assassinato ficar gravando a cena e não intervir, é assisanato não permitir ajuda.

Passados 2 meses, o silêncio total, a mídia já não fala mais, não existem mais manifestações, essa vida perdida já não importa tanto, não dá mais ibope; notáveis negros já não são chamados para reproduzirem seus mesmos discursos, mas o fato é que Beto já é passado .

Uma morte cruel filmada, divulgada mas esquecida, a dor ficou para a familia que lida com a ausência e a saudade, mas a estrutura racista arraigada pertence a cada cidadão negro no país; todo negro ou negra que quando acorda sabe que sua vida esta em risco e o Estado não vai protegê-los.

As grandes redes continuam abertas com suas ações subindo, com sua lucratividade garantida e essa é a maior vitória do mundo coorporativo que mata promete mudanças, abafa os casos e segue lucrando.

Nossas vidas importam para nós e é por nós que não podemos deixar cair no esquecimento nenhum ato contra nossa etnia. Aos que ficarem é preciso reivindicar sempre o que nos pertence; somos maioria na população forjamos as riquezas desse país e essa nação nos deve respeito!!

Em tempo de revolta e reflexões, saúdo a chegada da vacina. Felizmente a vacinação começou no Brasil depois de tanta briga política, consciente de que continuamos morrendo, pois somos a população mais acometida pela covid. Sigamos lutando por cada vida, ainda que fiquem nítidas quais vidas importam ao sistema. Nossa luta enquanto militantes é negar ao sistema o direito de nos excluir.

 

 

Elisiane Ferreira