Na última sessão da Câmara dos Vereadores de Birigui, diante da possibilidade de ser aprovado o feriado do dia 20 de novembro “Dia da Consciência Negra” no município, alguns vereadores apresentaram um substitutivo na lei, propondo que o feriado seja comemorado no primeiro domingo, após o dia 20 de novembro.

Com a apresentação deste substitutivo, um dos vereadores presentes na sessão, solicitou “vistas”, para analisar a viabilidade jurídica, colocando em votação e transferindo a decisão para a próxima sessão, que será no dia 16 de junho, na terça-feira.

Na prática, transferir o feriado do “Dia da Consciência Negra”, que é comemorado em centenas de municípios no dia 20 de novembro, significa desrespeitar-se a memória de um herói nacional, que é Zumbi dos Palmares, contribuindo desta maneira para que a luta desenvolvida no Quilombo dos Palmares, que envolveu negros, índios e brancos, seja apagada da verdadeira história do Brasil.

Comemorar o “Dia da Consciência Negra”, no primeiro domingo após o dia 20 de novembro, significa que Birigui estará à margem do calendário que o Movimento Negro vem construindo desde a inacabada “Lei Áurea”, que libertou os poucos negros escravos que restaram no Brasil, após 350 anos de escravidão, colocando-os nas ruas, sem emprego, sem casa, sem nenhuma dignidade.

Transferir as comemorações do “Dia da Consciência Negra”, para o primeiro domingo após o dia 20 de novembro, significa desrespeitar todas as conquistas obtidas pelos afrodescendentes brasileiros, tentando-se mais uma vez apagar a história de luta iniciada com a resistência histórica em Palmares, que após várias tentativas realizadas pelo Bandeirante Domingos Jorge Velho, culminou com o extermínio de milhares de Quilombolas, e o assassinato do seu líder Zumbi dos Palmares, sem lhe dar o direito de escolha em relação ao local, data e forma de sua morte.

Alterar a data da lembrança coletiva ao herói Zumbi, na prática significa desejar a sua morte pela segunda vez, enterrando com ele, os nossos direitos, a nossa história, a nossa ancestralidade e todas as conquistas obtidas pela população negra e indígena, desde Palmares. 

 

 

 

Marcos Benedito