Curitiba – “No Brasil, os negros e pardos têm que enfrentar barreiras invisíveis. Existe um racismo institucional: as pessoas não se afirmam racistas, mas praticam o racismo. No mercado de trabalho, isso se manifesta de forma muito nítida”. A afirmação é de Sérgio São Bernardo, assessor parlamentar da Frente em Defesa da Igualdade Racial, ao fazer um balanço do Seminário realizado esta semana em Curitiba para discutir as dificuldades enfrentadas pela população negra no acesso ao emprego.
Números de uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realizada em algumas das principais regiões metropolitanas do Brasil não deixam dúvidas: negros e pardos ganham menos e estão mais sujeitos ao drama do desemprego. Dados do IBGE confirmam as dificuldades para os negros de acesso ao emprego e menor remuneração, quase sempre cerca de 50% inferior.
Segundo São Bernardo a participação dos negros no mercado de trabalho é maior nas chamadas ocupações de maior vulnerabilidade, como o serviço informal e os trabalhos domésticos.
Para o economista Sandro Silva, do Dieese devido a dificuldades econômicas da família, muitos negros começam a trabalhar cedo e por consequência não completam os estudos. “E os afrodescendentes deixam o mercado de trabalho mais tarde, porque muitos trabalham sem registro em carteira e ficam muito tempo desempregados”, complementa. Até nos casos em que há equiparação de escolaridade, mesmo assim, os salários dos negros são menores, segundo o economista do Dieese.
O advogado Humberto Adami, presidente do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara), que também participou do Seminário de Curitiba, lembrou pesquisa feita pelo Previ, há dois anos, nas 114 maiores empresas do País, que apontou que negros e pardos ocupavam apenas 2% dos cargos de gerência média e diretoria. “Fala-se que no Brasil não tem racismo, que situações como esta refletem um problema econômico e social. Mas se há um número considerável de negros com boa escolaridade, o que explica o resultado da pesquisa? É preciso investigar”, afirmou.

Da Redacao