Salvador – O racismo continua sendo o principal obstáculo a impedir que os 180 milhões de afrodescendentes da América do Sul e Caribe usufruam dos Direitos Humanos previstos nos Tratados e Convenções Internacionais – inclusive a III Conferência Mundial Contra o Racismo, realizada em 2001, em Durban, na África do Sul.
A afirmação é da ativista Epsy Campbell, do Instituto de Mulheres da Costa Rica, que falou na mesa de abertura do Fórum da Sociedade Civil Íbero-Americana, no Centro de Convenções da Bahia. Segundo Campbell a Conferência representou um avanço no trato do tema ao considerar o racismo um crime contra a humanidade.
“Antes era com um se ouvir: “vocês são descendentes de escravos”. A partir de Durban se reconhece que a escravidão foi um crime contra a humanidade, e isso muda e acho que não temos utilizado a força do que isso significa”, afirmou.
Fazendo um balanço dos 10 anos de Durban, a ativista avaliou que “os resultados são muito escassos e em nenhum país foi incorporada a questão racial de maneira transversal e um tratamento estrutural do tema”.
Reconhecimento
Campbell lembrou a necessidade do reconhecimento internacional dos afrodescendentes como cidadãos em situação de exclusão e citou dados para comprovar: 90% vive em pobreza e pobreza extrema; falta reconhecimento e legalização das terras e territórios ancestrais; há uma sub-representação política em todas as esferas de decisão; estereótipos e estigmas continuam a ser usados nos meios de comunicação; há pouco investimento em políticas públicas.
“Em resumo, o que temos são pobres respostas para pobres afros. Não se necessita mais proposta, se necessita mais ações, mais recursos e mais vontade política”, finalizou.
Relatora
A relatora da III Conferência de Durban, professora Edna Roland, que fez parte da mesa com Campbell destacou a importância da manutenção da independência do movimento negro em relação ao Estado. “Não podemos abrir mão da nossa radicalidade, nem ficar de joelhos”, afirmou.

Da Redacao