Porto Alegre – “Da outra vez que a gente veio jogar, estava passando campanha contra o racismo no telão, não é por acaso. Eu estava no gol, xingar, pegar no pé, normal. Chamaram-me de preto fedido, cambada de preto. Começou aquele corinho de macaco. Eu pedi para o cinegrafista filmar, mas já tinham feito. Eu fico puto, desculpe o palavrão. Dói, dói. Quando me chamaram de preto, eu disse que sou preto sim, sou negão sim. Sempre tem alguns racistas aqui no meio. Está dado o recado para ficar esperto para a próxima partida. Hoje tem leis, mas no futebol o torcedor usa de várias maneiras de desestabilizar os jogadores”.

A declaração, em tom de desabafo, foi feita pelo goleiro Mário Lúcio Duarte Costa, Aranha, alvo de manifestações racistas por parte da torcida do Grêmio, na partida desta quinta-feira (28/08), em que o Santos derrotou a equipe gaúcha por 2 X 0 em partida pelas oitavas de final da Copa do Brasil.

As câmeras de TV que cobriam o jogo registraram o momento em que os torcedores imitam macaco em coro das arquibancadas para provocar o atleta santista. As imagens também mostram uma mulher branca vestida com o uniforme da torcida do Grêmio xingando o goleiro de macaco.

Campanha

Em março deste ano, outro atleta do Santos – o volante Arouca – foi xingado de macaco por torcedores do Mogi Mirim em partida pelo campeonato paulista. A agressão aconteceu quando Arouca concedia entrevista coletiva à saída do campo.

Na ocasião, o Departamento de Marketing do Santos lançou campanha contra o racismo e o jogador foi convidado para um ato de desagravo promovido pela Presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, que reuniu o jogador Tinga, do Cruzeiro, e o árbitro gaúcho Márcio Chagas, alvos de agressões racistas em jogos de futebol.

Arouca não foi e o ato acabou transformado apenas em marketing do Palácio para atender a pressões da FIFA predocupada com a prática de atos racistas nos estádios durante os jogos da Copa do Mundo 2014 disputada em junho passado no Brasil.

Da Redacao