Curitiba – Esta semana Curiiba foi coberta por cartazes e adesivos colados em placas de trânsito e fachadas de prédios públicos do centro histórico, defendendo a separação racial. O mote da campanha desencadeada pelos racistas paranaenses e assinada por um auto-denominado grupo chamado “Orgulho Branco” é: “Mistura racial? Não, obrigado”
Lideranças do movimento negro paranaense acionaram o Ministério Público Federal para pedir a abertura de investigações para identificar os autores e abertura de processo por crime de racismo, considerado inafiançável e imprescritível pela Constituição Federal. Em caso de condenação os autores podem pegar de um a três anos de prisão.
O procurador da República João Vicente Beraldo Romão abriu “procedimento criminal” para apurar a denúncia. Ele considerou que a panfletagem “induz, em tese, o preconceito racial” e determinou que a área de informática da Procuradoria faça o rastreamento dos sites ou comunidades relacionadas ao “Orgulho Branco”.
A panfletagem começou domingo passado. Segundo o presidente do Instituto Brasil e África, Saul Dorval da Silva, 37 anos, também foram distribuídas versões maiores do panfleto –impressas em papel sulfite.
Silva e a presidente do Instituto de Estudos da Afrodescendência (IBAF), socióloga Marcilene Garcia de Souza, 29, também pediram que a Procuradoria Geral da República, em Brasília, entre no caso. “É preciso saber se esse grupo racista atua só em Curitiba ou se há ramificação por todo o país”, diz a presidente do IBAF.
Segundo as lideranças do movimento negro, o “Orgulho Branco” pode ser uma dissidência de grupos neonazistas, como os “Skinheads”, que se tornaram conhecidos pela defesa de ações violentas contra negros e homossexuais. O “Orgulho Branco” tem página na Internet e é inspirado em um grupo neonazista chamado “White Pride”.
Para Marcilene Souza a reação dos grupos racistas é reflexo do avanço do movimento negro como a conquista da reserva de vagas na Universidade Federal do Paraná e também em instituições estaduais. “Historicamente, em Curitiba, houve uma negação da cultura negra (…) e agora mudou a face do pátio da universidade [federal].”, afirma.
No ano passado, com a criação das cotas negros, 573 afrodescendentes foram matriculados na UFPR. A reserva de vagas gerou 75 ações contrárias na Justiça, todas derrubadas no tribunal de segunda instância. O Censo do IBGE de 2000 indica que um quarto da população do Paraná é afrodescendente – parda ou negra.
Funcionários da Prefeitura de Curitiba fizeram uma varredura no centro da cidade para retirar os adesivos.
Veja o vídeo com a denúncia veiculado pela Paraná TV

http://www.ondarpc.com.br/tvparanaense/not.phtml?id=33869&ed=12&video=1

Da Redacao