S. Paulo – No comando de uma Operação que se estendeu por oito Estados, o Ministério Público de S. Paulo, com apoio da Polícia Militar, começou a desbaratar as gangs racistas que atacaram a jornalista Maria Júlia Coutinho, apresentadora do tempo do Jornal Nacional, da TV Globo.

Na manhã desta quinta-feira (10/12), a Operação que, em S. Paulo, foi comandada pelo promotor Christiano Jorge Santos, prendeu o auxiliar de produção Kaíque Batista, 21 anos. Ele negou ter postado as ofensas racistas, porém, entregou os comparsas. “Não, meu grupo não, agora o grupo que publicou, eu sei quem foi e eu vou falar. Não vou segurar o rojão de ninguém”, disse a Polícia.

A jornalista foi chamada de “macaca”, “puta africana” “vagabunda” e “preta imunda”, entre outras agressões, o que, configura crime de racismo previsto na Lei 7.716/89 e injúria racial prevista no art. 140 do Código Penal. As penas previstas podem chegar a cinco anos de reclusão.

Mandados

Nesta fase da operação a Justiça expediu 25 mandados de busca e apreensão nos oito Estados. Em Fortaleza foram apreendidos quatro celulares e um notebook. O suspeito foi convidado a prestar esclarecimentos, mas recusou-se e agora será notificado formalmente.

“Logo em seguida a injúria que o caso veio à tona, o perfil foi desativado mais isso não impede evidentemente de se chegar, de se identificar a localização exata de onde saiu essa mensagem criminosa”, explica o promotor de justiça Manoel Epaminondas.

Um dos líderes dos ataques a jornalista foi detido em sua casa em Sorocaba, interior de S. Paulo. No celular, os promotores encontraram outros grupos com mensagens racistas. Em Rio Verde, interior de Goiás, a Polícia descobriu que os ataques eram feitos por um adolescente de 16 anos.

Agressões

Os ataques racistas pelas redes sociais a jornalista Maria Júlia Coutinho, aconteceram em julho. Na ocasião, em entrevista ao editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira, o promotor Christiano Jorge Santos, da 1ª Promotoria de Justiça Criminal de S. Paulo, que abriu a investigação garantiu que o MP tinha “estratégias para investigar neste caso”. “Já obtivemos sucesso em investigações semelhantes e acredito que possamos identificar, se não todos, ao menos alguns dos criminosos”, afirmou.

Também na entrevista, o promotor prometeu dedicar-se ao máximo para levar os autores a serem punidos nos termos da lei e fez um apelo. “Qualquer pessoa que saiba de alguma pista sobre a identidade dos autores dos delitos nos comuniquem. Precisamos da união de todos”, afirmou.

Jorge Santos é o mesmo promotor que em 2004 desencadeou as investigações que identificaram grupos racistas que utilizavam a Internet como veículo de propagação do ódio e da intolerância, entre eles, o liderado pelo então estudante da Universidade de Brasília, Marcelo Valle Silveira Mello, identificado como autor dos ataques a Afropress e condenado pela Justiça de Brasília e pela Justiça Federal do Paraná.

Detido e levado a prestar esclarecimentos, Kaíque disse ao promotor Jorge Santos que sabia de outros grupos que fazem apologia do racismo na Internet. Segundo ele, esses grupos acham que a rede é uma terra sem lei.

Segundo o promotor, os agressores identificados responderão pelos crimes de injúria, racismo e organização criminosa.

 “Podemos pensar em penas que vão variar de dois a cinco anos no caso de racismo, de um a cinco anos no caso de injúria, um a três anos, no caso de organização criminosa e as penas vão sendo somadas”, afirmou o promotor.

 

 

Da Redacao