S. Paulo – No dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, decidiu considerar constitucional as ações afirmativas e as cotas para negros, grupos racistas e neonazistas voltaram a atacar a Afropress e derrubaram a página, que é hospedada na Rede Tiwa, do Rio. Segundo a Equipe do Suporte Tiwa, a invasão da página começou por volta do meio dia e o acesso só foi restabelecido por volta das 23h – 12 horas depois.

No dia anterior, quando começou o julgamento no STF, a página também foi invadida, porém, o acesso foi restabelecido pelos técnicos. O coordenador da Rede, Carlos Afonso – uma das principais lideranças da Internet, no Brasil – enviou e-mail ao Jornalista Dojival Vieira, editor de Afropress, informando do ataque. "Caríssimo, a página do Afropress foi atacada (substituida por hackers por um aviso que eles alteraram a página). Provavelmente porque a senha do acesso FTP está comprometida. Por isso tivemos que desativar, para evitar que continuem explorando os diretórios comprometidos", avisou.

No início da noite, a Redação da Agência divulgou Nota/Denúncia sobre o ataque e começou a receber a solidariedade de ativistas e lideranças negras e antirracistas, entre os quais, do sociólogo Marcos Romão, da Rádio Mamaterra, que ligou do Rio para expressar solidariedade, do coordenador geral do Coletivo de Entidades Negras, jornalista Márcio Alexandre Martins Gualberto, e de Hamilton de Souza, da Revista "Caros Amigos". "Manifestamos total solidariedade com a Afropress. Os racistas e fascistas não passarão. Já passei a nota denúncia para o editor do site Caros Amigos colocar no ar", informou o editor.

Leia, na íntegra, a NOTA DENÚNCIA divulgada à propósito do ataque. No mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF), pela unanimidade dos seus membros, consagrou o princípio da constitucionalidade das ações afirmativas e das cotas para negros e indígenas, como mecanismos necessários para se chegar à Igualdade e à Justiça, grupos racistas desfecharam violento ataque à Afropress (Agência Afroétnica de Notícias), que obrigou o Provedor – a Rede Tiwa, com sede no Rio de Janeiro – a retirar a página do ar, para proteger o nosso banco de dados, gravemente ameaçado.

Não é a primeira vez que a Afropress é alvo de grupos que pregam e praticam o ódio e a intolerância e não há coincidência em que tentem, justamente hoje, mais uma vez, destruir um veículo de informação que há sete anos se mantém fiel ao objetivo de fazer um Jornalismo comprometido com a luta contra o racismo e a discriminação e a defesa dos direitos civis e por igualdade da população negra brasileira.

Em comunicado à Redação, Carlos Afonso, responsável pelo Provedor Tiwa, confirmou o ataque, iniciado por volta das 12h de hoje (26/04), e anunciou ter havido a necessidade de “desativar [tirar a página do ar] para evitar que continuem explorando os diretórios comprometidos”. Os autores de mais esse crime são os mesmos que há sete anos passaram a ter a Afropress como alvo.

O ataque desta vez, certamente, é uma represália covarde às manifestações de alegria por parte de milhões de negros (as) e antirracistas, que tomaram conta do país, desde que o ministro Carlos Ayres Brito, presidente do Supremo Tribunal Federal, proclamou o resultado. O jornalista Dojival Vieira, Editor de Afropress, disse esperar que, recuperado o back-up e obtida a nova senha de acesso, o site volte ao ar ainda durante esta sexta-feira (27/04) para cobrir a repercussão do julgamento histórico da mais Alta Corte do Brasil e dar continuidade ao trabalho que vem fazendo.

Ele afirmou que só o aprofundamento das investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre os crimes praticados por gangues racistas e neonazistas – e que levaram à prisão recente do ex-estudante da Universidade de Brasília (UnB), Marcelo Valle Silveira Mello, e do empresário Emerson Eduardo Rodrigues, ambos presos pela PF, em Curitiba -,poderão esclarecer quem são os autores de mais esse ataque criminoso contra a liberdade de expressão.

O jornalista disse ainda que encaminhará a denúncia formal aos Sindicatos de Jornalistas de todo o país, aos organismos e entidades comprometidas com a defesa da liberdade de expressão, e a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da OEA, e pediu a solidariedade ativa de todos os ativistas negros e antirracistas que lutam por Direitos e Igualdade. “Nem um passo atrás. Como das outras vezes, voltaremos ainda mais determinados a continuar o nosso trabalho.

Não nos calaram antes. Não nos calarão agora. Não nos calarão jamais! Venceremos!”, prosseguiu.

S. PAULO, 26 DE ABRIL DE 2.012 – DIA EM QUE O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL DECLAROU A CONSTITUCIONALIDADE DAS AÇÕES AFIRMATIVAS E DAS COTAS NO BRASIL.

EQUIPE DE REDAÇÃO DE AFROPRESS

DOJIVAL VIEIRA – Editor e Jornalista Responsável JORNALISTA RESPONSÁVEL E EDITOR

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