Brasília – Genival Oliveira Gonçalves, o rapper Gog como é conhecido, fez questão de participar da reunião do Colegiado da UnB para pressionar pelas cotas. “Na realidade, a Lei é um realmente um retrocesso no sentido de que a discussão das cotas raciais é a admissão do Estado de que os negros e negras foram prejudicados no processo de construção política e social do Brasil. Nós estamos aqui defendendo que, no mínimo seja mantido 5% além das cotas sociais. Queremos discutir a inclusão de quilombolas, indígenas, excluídas desse debate”, afirmou.

Segundo Gog, nascido em Sobradinho, morador da periferia de Brasília e um dos pioneiros do movimento rap no Distrito Federal, a Lei 12.711/2012, aprovada pelo Congresso e sancionada pela Presidente Dilma Rousseff em vigor desde o ano passado “realça o mito da democracia racial no Brasil”.

Africanos
 

No auditório lotado, o estudante Muamar Diniz Siqueira, 32 anos, da Guiné Bissau, estudante de Letras da UnB, disse que fez questão de participar da mobilização em defesa das cotas para ser solidário “aos irmãos negros brasileiros”.

Siqueira, diz que quando chegou ao Brasil em 2009 para estudar levou um susto. “Antigamente você só encontrava só negros africanos, não tinha brasileiros. Eu cheguei no Brasil em 2009. Quando a gente sai da África, pensava que o Brasil era um país colorido, o pais com mais negros no mundo, perde só para a Nigéria, mas na verdade, quase não tinha negro na Universidade”.

Segundo ele, essa situação está mudando. “Não está do jeito que a gente queria, mas está mudando. Dá prá perceber agora que você não vê só africanos. Agora você encontra muitos brasileiros. As coisas estão mudando”, afirma.

Segundo o professor José Jorge, desde 2004, quando começou o sistema de cotas 4.473 cotistas se formaram. No ano passado, 23% dos universitários eram negros, percentual que chegava a apenas 8% em 2000.

Por sua vez, Natália Maria Alves Machado, da primeira turma de cotistas de 2004, disse que a proposta aprovada de 5% “no primeiro momento me pareceu razoável, mas agora estou com uma sensação de pesar”. “É um piso prá gente avançar e não retroceder”, afirmou após a votação. Ela comentou a ausência de ativistas do movimento negro partidário e também de representantes da SEPPIR: “É o comprometimento político partidário, né?’. 

A ministra chefe da SEPPIR, Luiza Bairros, ignorou e se manteve ausente das discussões pelas cotas preservação das cotas exclusivamente raciais na UnB decididas nesta quinta-feira pelo colegiado da Universidade. Também não mandou representantes à reunião embora se saiba que a Secretaria afirme que monitora as políticas públicas de inclusão.

Da Redacao