A Igreja de Levi – a Street Life World Wide Outreach (As Ruas de Todo o Mundo) – pertence a um ramo da Igreja Batista americana, de Houston, no Texas, tem apenas um ano de existência e cerca de 65 membros. Na visita a São Paulo falou à Afropress, com exclusividade, acompanhado pelo pastor Albert, de São Paulo, sobre o trabalho do Hip Hop na evangelização de jovens negros e como isso mudou a vida de muitos jovens da sua comunidade.
Ele também faz a pregação através de eventos, festivais e dos filmes que produz, dirige e nos quais atua, como os dois mais recentes “Players Manual (Manual do Jogador) e Pain (Dor), no qual conta a história de um traficante está inserido na comunidade e não entende porque não tem paz no coração.
Levi também falou da diferença do racismo nos Estados Unidos e no Brasil e declarou seu espanto pelo fato de aqui, os brancos, que em sua opinião estão muito mais próximos dos mexicanos (chicanos, latinos) discriminarem negros; do papel do Hip Hop como instrumento de evangelização e das possibilidades do senador Barack Obama tornar-se o primeiro presidente norte-americano.
Veja a entrevista:
Afropress – É sua primeira vez no Brasil, qual a impressão que está tendo?
Teerrance Levi – Estou vendo que é bastante diferente do que imaginava, mas estou gostando.
Afropress – Como é o seu trabalho no Hip Hop para evangelizar jovens negros?
Levi – Eu já era Rapper. Em qualquer lugar do mundo é um estilo de vida, um estilo diferente. Muito poucas Igrejas tinham essa visão quando começamos. Buscamos trazer o evangelho para a geração do hip hop. Fazemos esse trabalho, através de filmes, da implantação de Igrejas, fazendo eventos, festivais etc. Estamos crescendo e mostrando a importância desse trabalho para as igrejas e organizações tradicionais. Hoje, posso dizer que o Rap está bastante disseminado, principalmente nas Igrejas urbanas. O Hip Hop é a linguagem dos jovens.
Afropress – Qual é o percentual de negros evangélicos na população americana.
Levi – Creio que cerca de 75% dos negros americanos são evangélicos das várias denominações.
Afropress – Qual é a diferença que mais te chamou o atenção, em relação ao racismo praticado nos EUA e no Brasil?
Levi – É muito diferente da batalha que se trava aqui. Não encontrei no Brasil nenhum branco, ou alguém que poderia classificar como branco. Essa é uma das grandes surpresas que eu pude ver no Brasil, ao ouvir sobre o racismo, porque as pessoas brancas no Brasil se parecem mais com mexicanos (chicanos, latinos). Os negros americanos e os chicanos estão unidos lá contra o racismo.
Afropress – Como vê as chances do senador Barack Obama tornar-se o primeiro presidente negro dos Estados Unidos?
Levi – Claro que gostaria que isso acontecesse. Porém, gostaria de saber mais sobre a visão cristã dele. Eu gostaria que o presidente tivesse uma visão religiosa.

Terrance Dion Levi, em entrevista ao editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira.