S. Paulo – O presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo, disse que a campanha que está sendo feita contra as comunidades quilombolas com o questionamento das terras já reconhecidas e tituladas, é um movimento nacional articulado comandado por fazendeiros e latifundiários de impedir qualquer avanço na questão agrária, com “conotações de racismo explícito”.
“Trata-se de segmentos que se recusam a reconhecer a existência de escravidão no Brasil. É como se, em determinado momento, a população negra tivesse feito um pequenique em locais longínquos e inacessíveis para exercitar o seu espírito de aventura. Esses setores combatem a inclusão desses quilombolas aos direitos elementares da cidadania. São contra tudo aquilo que signifique a inclusão de pretos e pobres”, acrescentou.
Segundo Zulu esses mesmos setores querem que o Brasil ignore os 400 anos de escravidão e a necessidade de se fazer a reparação e desconheça que os remanescentes de quilombos estão nessa condição porque em algum momento buscar garantir a sua liberdade e até mesmo a sua vida. “Os quilombolas têm sido alvo porque é lá onde se dá o início desse reconhecimento”, concluiu.
No caso do Quilombo de Paraguaçu, na Bahia, que tem sido o mais recente alvo da ofensiva dos fazendeiros amplificada pelos meios de comunicação, em especial, a Rede Globo, Zulu disse que a Fundação Palmares está tomando as providências solicitadas pelo Ministério Público Federal.
Medidas
Entre as medidas adotadas pela Fundação Palmares para enfrentar a ofensiva dos fazendeiros, está a suspensão das certificações de Quilombos e a criação de um Grupo de Trabalho formado por técnicos e pela Associação Brasileira de Antropologia (ABA). Ainda este mês, essas medidas serão anunciadas em Brasília em um ato que deverá contar com a presença das lideranças quilombolas do Brasil, com presença confirmada do ministro da Cultura, Gilberto Gil.
Zulu também anunciou a adoção de um Programa Nacional de Políticas Públicas de Cultura para as áreas de Quilombos e da produção Cultural Quilombola e um Encontro Latino Americano Americano de Quilombolas, Palenques e Mocambos, em data ainda a ser definida.
Existem no Brasil, segundo o presidente da Palmares, entre três mil e três mil e quinhentas comunidades remanescentes de quilombos, dos quais 1.170 já reconhecidos. A população dessas comunidades é estimada entre 2,4 a 3 milhões de quilombolas.
Nas áreas já reconhecidas, de acordo com o presidente da Fundação Palmares, vivem, na sua maioria da agricultura de subsistência, entre 800 e 1 milhões de pessoas.

Da Redacao