Brasília – A Revista Veja e a Rede Globo mentiram quando, na semana passada, noticiaram o caso dos gêmeos Alan e Alex Teixeira da Cunha, em que um, de pele mais escura, (Alan) teria sido aceito no sistema de cotas da Universidade de Brasília (UnB), e o outro, Alex, de pele mais clara, vetado.
Nesta quarta-feira, (06/06) o reitor da UnB, Timothy Mulholland, anunciou que a Universidade aceitou o recurso de Alex Teixeira da Cunha – que não havia sido considerado apto a concorrer na primeira fase do sistema de cotas.
Segundo o reitor Mulholland não houve erro e sim precipitação por parte da mídia divulgando apenas uma etapa da seleção dos cotistas da UnB e ignorando que os não aceitos na primeira etapa tinham o direito a entrar com recurso, o que ocorreu.
“O que está acontecendo é um ataque muito forte a esses programas por aqueles que têm seus motivos para isso, que não aceitam a possibilidade de haver integração dos jovens negros nas universidades, e isso são eles que têm de explicar. Nós aqui estamos engajados num processo de inclusão”, disse o reitor.
Segundo Mauro Rabelo, diretor geral do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe), a mídia ignorou que o processo só se encerra depois do período de recurso. Rabelo contou que este não foi o primeiro caso: em 2005, duas gêmeas viveram idêntica situação, sem que a mídia tivesse sequer noticiado.
Cotas nas Universidades
Na primeira seleção pelo sistema de cotas da UnB, ocorrida no segundo vestibular de 2004, mais de 18% do total de candidatos inscritos concorreram a uma vaga pelo sistema de cotas. De acordo com a universidade, atualmente são 1.614 alunos cotistas, num universo de cerca de 21 mil universitários. Do total, 20% das vagas da instituição são reservadas para negros.
No momento 34 instituições de ensino superior do país aplicam o sistema de ações afirmativas ou cotas – 15 federais e 19 estaduais. Só nas federais, 9 mil alunos negros e indígenas já foram incluídos.
Apesar do projeto do Estatuto da Igualdade está parado na Câmara, segundo o Ministério da Educação, todas as instituições públicas de Ensino Superior estão discutindo a implantação das ações afirmativas em seus Conselhos Universitários.
Veja a Nota Oficial divulgada pelo reitor
Nota Oficial
O Sistema de Cotas para Negros, aprovado na Universidade de Brasília no dia 6 de junho de 2003 e implantado a partir do 2º Vestibular de 2004, completa quatro anos de existência com sucesso. Nesse período, cerca de dois mil alunos negros (pretos e pardos) foram beneficiados por essa política pública que prevê a inserção desses jovens no ensino superior.
O Vestibular e o Sistema de Cotas para Negros são processos consolidados, amadurecidos e seguros. É a sétima vez que a UnB faz essa seleção de candidatos – que inclui as etapas de autodeclaração, análise de fotos, recursos e entrevistas – para concorrer pelo Sistema que reserva 20% das vagas para jovens negros.
O uso de entrevistas e as análises de fotografias já foram adotados por outras instituições de ensino superior no País para inibir o comportamento de quem tem a intenção de burlar o processo e não prejudicar aqueles para quem as cotas se destinam. A UnB rechaça veementemente acusações de setores da imprensa de que esse processo seja parte de “tribunal racial”.
Hoje, no dia 6 de junho de 2007, a UnB divulga o resultado final de mais um processo seletivo com a homologação das inscrições dos candidatos que concorrerão no 2º Vestibular de 2007 pelo Sistema de Cotas para Negros. O episódio que envolve os irmãos gêmeos, em que apenas um deles foi aceito preliminarmente como cotista, não prejudica a credibilidade da seleção, já que o processo de análise estava em andamento e o recurso do candidato faz parte de uma das etapas da seleção. Sempre que a experiência indicar, esta instituição não se furtará a fazer aperfeiçoamentos necessários sobre quaisquer processos, inclusive os de seleção.
O que a Universidade de Brasília não abre mão é de buscar políticas e ações que contribuam para diminuir a exclusão social na região e no País e para a igualdade de todos no gozo dos direitos da cidadania.
Brasília, 6 de junho de 2007
Timothy Mulholland
Reitor

Da Redacao