Brasília – O reitor da UnB Timothy Mullholand determinou que o departamento jurídico abra inquérito administrativo para apurar a denúncia de racismo contra o professor Paulo Kramer, do Instituto de Ciência Política, feita por um grupo de alunos e formalizada na última segunda-feira, em reunião.
“Não adianta dar dinheiro para essa crioulada”, disse Kramer, 49 anos, professor adjunto, em sala, numa aula de Teoria Política Moderna.
Os comentários de caráter racista não ficaram por aí: o professor também se referiu ao estudante Gustavo Amora, 24 anos, como “racista negro” e “Ku-Klux Klan negra”. A Ku-Klux Klan é uma organização fundada em 1.865, nos EUA, e é o principal símbolo do racismo norte-americano.
Kramer confirma ter usado tais expressões. É a primeira vez em 44 anos que isso acontece na Universidade de Brasília, a primeira a adotar a política de cotas. “Ele desrespeitou nossas posições e julgamos por bem levar o caso ao conhecimento da direção do instituto”, afirma o estudante Carlos Augusto Machado, 24.
A UnB é também a primeira Universidade, onde começou a reação articulada de grupos racistas contra a política de cotas. O estudante Marcelo Valle Silveira Mello, do Curso de Letras, responsável por ataques a Afropress, é o primeiro caso de um acusado pela prática de racismo na Internet a ser processado criminalmente pela Justiça brasileira, denunciado pelo Ministério Público. O caso tramita na 6ª Vara Criminal de Brasília.
Na reunião de segunda-feira, o reitor recebeu o grupo de estudantes, acompanhado de Ivair Augusto dos Santos, que é assessor da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça, e pelos professores Dione Moura e Jacques Jesus, os dois últimos da Universidade. Segundo Amora, os três tentaram contemporizar preocupados com as repercussões das denúncias na Imprensa.
Além de Kramer, também o professor Thadeu de Jesus e Silva, da Sociologia, foi denunciado pelas alunas Juliana Floriano Watson Anita Cunha Monteiro por comentários de caráter racista em sala de aula. No caso de Tadeu, não haverá procedimento investigatório porque ele não passou em concurso recente e não continuará ocupando a cadeira, segundo a direção da UnB.
No caso de Kramer, porém, o professor poderá ser punido a penas que vão de advertência a expulsão do cargo, caso seja considerado culpado no inquérito administrativo, que deverá ser aberto pelo Departamento Jurídico da Universidade.
Segundo o reitor “o assunto é muito sério e precisa ser avaliado com o máximo de cuidado”. Não há prazo para o departamento jurídico se pronunciar.

Da Redacao