Brasília – A professora Nilma Lino Gomes é a nova ministra chefe da Igualdade Racial, em substituição a socióloga Luiza Bairros. Com a escolha, Dilma manteve o perfil técnico na SEPPIR, descartando nomes como o do ex-ministro e deputado federal pelo PT do Rio, Edson Santos, da ex-deputada federal Janete Pietá (PT/SP), do ex-deputado Luiz Alberto, do PT baiano, e do atual vereador paulistano, empresário e cantor, Netinho de Paula, do PC do B.

Os nomes preteridos tem em comum terem sido derrotados nas urnas. Dilma optou por não escolher ninguém marcado pela derrota nas eleições deste ano. Mineira de Belo Horizonte, a nova ministra é pedagoga graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutora em Antropologia Social pela Universidade de S. Paulo (USP). Em 2006, mudou-se para Portugal onde fez o pós-doutorado em Sociologia na Universidade de Coimbra.

1ª Reitora de uma Universidade Federal

A nova chefe da SEPPIR ocupava desde 1º de abril de 2013, o cargo de reitora pro tempore  da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB). Foi a primeira mulher negra a assumir esse cargo. Oriunda da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) também foi conselheira do Conselho Nacional de Educação (CNE).

No CNE Lino Gomes foi uma das personagens da polêmica em torno do livro “Caçadas de Pedrinho”, do escritor Monteiro Lobato, acusado de racismo por ativistas negros liderados pelo ex-Ouvidor da SEPPIR, advogado Humberto Adami.

Como relatora do parecer sobre o livro, Nilma foi acusada pelo professor Antonio Gomes da Costa Neto, de Brasília, do grupo de Adami, de "utilizar-se de uma manobra jurídica e de artifícios semânticos" para transformar o primeiro parecer – de n. 15 -, de setembro de 2010, que recomendava a não compra de livro de conteúdo abertamente racista com recursos públicos e a exigência de uma Nota Explicativa pelas editoras, "em mera sugestão" – o Parecer n. 06 -, posteriormente homologado pelo ministro da Educação, à época, o atual prefeito de S. Paulo, Fernando Haddad.

Polêmica

Por coincidência, na véspera da oficialização de Nilma como ministra da SEPPIR, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou nesta segunda-feira (22/12) mandado de segurança interposto pelo Instituto de Advocacia Racial, de Adami, que pedia a inclusão de notas explicativas sobre racismo no livro de Lobato. Ainda cabe recurso a ser julgado pelo plenário do Tribunal. 

Além de confesso adepto da eugenia, Lobato foi também um entusiasmado defensor da Ku Klux Klan, a organização de extrema direita dos EUA, que se tornou símbolo da intolerância racista por protagonizar massacres e linchamentos de negros naquele país.

Ao optar pela saída de Luiza Bairros da SEPPIR, a Presidente ignorou as gestões que vinham sdendo feitas nos bastidores por lideranças negras do PT, por meio da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), e do PC do B, por intermédio da UNEGRO – União de Negros pela Igualdade.

Desde a criação da SEPPIR, os dois partidos monopolizaram os principais cargos, não apenas na Secretaria, que é ligada a Presidência da República e tem status de Ministério, mas também na Fundação Palmares, autarquia ligada ao Ministério da Cultura (MinC).

 

Da Redacao