Genebra/Suiça – Mesmo sendo o Brasil, o país com maior população negra do mundo fora da África (cerca de 94 milhões), o Governo brasileiro indicou como relator da Conferência Durban + 8, aberta nesta segunda-feira (20/04) e que prosseguirá até sexta-feira (24/04), em Genebra, Iradj Roberto Eghari (na foto à esquerda) um engenheiro eletrônico branco, representante de uma comunidade religiosa – a Fé Bahá’í – que conta com 57 mil adeptos no Brasil.
Não se conhece os critérios para a indicação de Iradj para a Relatoria – que o Brasil ocupa exatamente por ser o país com maior população negra do mundo, depois da Nigéria -, porém, a escolha foi feita pelo Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores, e pela Seppir, com o aval da delegação.
Entre os membros da delegação brasileira, escolhidos por critérios não conhecidos, estão nomes que representam entidades que fazem parte da base de apoio do Governo Federal, como Deise Benedito, da ONG Fala Preta, Nilza Iraci, da Geledés, Ivanir dos Santos, do CEAP, Cida Bento, do CEERT, Jurema Jurema Werneck, da ONG Criola, a vereadora Olivia Santana, da Unegro, Samoury Mugabe, de uma autodenominada Articulação Política da Juventude Negra, e Gilberto Leal, da Coordenação de Entidades Negras (CONEN), a entidade mais próxima ao PT.
O cargo de relator ocupado por Eghari é o mais importante depois da Presidência, e foi ocupado pelo Brasil em 2.001, na Conferência Mundial Contra o Racismo, a Xenofobia e a Intolerância, realizada pela ONU em Durban, na África do Sul. Em Durban, a relatora foi a professora Edna Roland, da Coordenadoria da Mulher e da Igualdade Racial da Prefeitura de Guarulhos. Não se sabe por quais razões, Roland ficou de fora da delegação enviada desta vez à Genebra.
Eghari será o responsável pelo relatório final da Conferência e disse ter ficado honrado com a indicação. “Sinto-me honrado com a indicação feita pelo governo brasileiro e tenho a certeza de que o protagonismo desempenhado pelo Brasil no campo da promoção da igualdade racial e do combate ao racismo é que dá devida legitimidade para que um representante do nosso país assuma tal tarefa”, afirmou.
Quem são os Bahá’ís
A fé Bahá’í é uma religião mundial, surgida na antiga Pérsia, atual Irã, em 1.844, e que tem leis e escrituras sagradas próprias. A comunidade, fundada por Bahá’u’lláh, título de Mirzá Husayn Ali (1817-1892), tem aproximadamente 7 milhões de adeptos no mundo.
No Brasil, onde se estabeleceu a partir de fevereiro de 1.921, os Bahá’ís formam um grupo de 57 mil pessoas, residentes em 1.215 cidades, em todas as regiões, segundo o própria página mantida pela comunidade na Internet.
Delegação negra
A delegação brasileira, que já está em Genebra, é chefiada pelo ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, e é formada por 16 representantes do poder Público e 14 representantes da sociedade civil. A conferência tem como objetivo aperfeiçoar e consolidar a Declaração Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância, criada durante a primeira Conferência, em Durban.
Os nomes que estão em Genebra em nome dos negros brasileiros foram escolhidos por critérios não conhecidos nem divulgados. O que há de comum entre eles é que fazem parte de entidades da base de apoio do Governo Federal.
Confira os nomes:
Sociedade civil – Deise Benedito (Fala Preta); IradjRoberto Eghrari (Comunidade Baha’i no Brasil); Nilza Iraci (Gueledés); Ivanir dos Santos (CEAP): Maria Aparecida Bento (CEERT); Jurema Werneck (Criola); Olívia Santana (UNEGRO); Jacinta Maria Santos (Agentes da Pastoral Negra); Gilberto Leal (CONEN); Marcos Benedito (INSPIR); Samoury Mugabe (Articulação Política de Juventude Negra); Genaldo Novaes (INTECAB); Ronaldo dos Santos (CONAQ); Marcelo Paixão, professor da UFRJ especialista em História da África; e Wania Santana, pesquisadora e historiadora especialista no tema DURBAN.
Poder Público – Martvs das Chagas (subsecretário de Ações Afirmativas da SEPPIR/ PR), Alexandro Reis (subsecretário de Comunidades Tradicionais da SEPPIR/PR), Manuela Pinho (subsecretária de Planejamento da SEPPIR/ PR), Carlos Moura (ouvidor da SEPPIR/ PR), Magali Naves e Márcia Canário (assessoras internacionais da SEPPIR/ PR), Zulu Araújo (presidente da Fundação Cultural Palmares/ MinC), Regina Célia Sant’Anna Adami (assessora parlamentar da SPM/ PR), Leonor Franco de Araújo (coordenadora geral de diversidade da SECAD/ Ministério da Cultura), José Armando Guerra (gerente de projetos da Subsecretaria de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da SEDH/PR), Maria do Carmo Rebouças Cruz (gerente de cooperação internacional da SEDH/PR), José Gregori (secretário municipal de Direitos Humanos de São Paulo e chefe da delegação brasileira em Durban, 2001), Dra. Célia Whitaker (assessora do secretário José Gregori) e Mário Theodoro (especialista em temas da diversidade do IPEA), além de um parlamentar representando o Senado Federal e o outro a Câmara dos Deputados.
Veja quem é o relator
O engenheiro eletrônico Roberto Eghari, é professor de Relações Internacionais e secretário Executivo do Centro de Estudos em Direitos Humanos do Centro Universitário Euro-Americano – Unieuro, em Brasília, DF. É membro do Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos, órgão da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. É Secretário Nacional de Assuntos Externos da Comunidade Bahá’í do Brasil, além de gerente -executivo da OnG Ágere Cooperação em Advocacy.

Da Redacao