Brasília – Depois de uma visita de 10 dias ao Brasil, onde se encontrou com lideranças, ativistas e autoridades de vários Estados, o Relator Especial das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância, o senegalês Doudou Diène, decidiu propor ao Governo Brasileiro que adote uma política de reparação em várias áreas para enfrentar a desigualdade racial no país. “Somente as ações afirmativas podem corrigir a invisibilidade promovida pelo racismo”, afirmou.
O objetivo da visita do Relator foi avaliar a situação da desigualdade no país e eventuais avanços, 10 anos depois da última visita, em 1.995. Com quem se encontrou Diène fez três perguntas: ainda existe racismo no Brasil? Quais os progressos na política para combatê-lo? Que problemas ainda precisam ser enfrentados.
Na visita, que incluiu Brasília e mais quatro cidades brasileiras como Recife, Salvador, Rio de Janeiro e S. Paulo, o Relator ficou particularmente espantado ouvir de algumas autoridades (ele não quis revelar os nomes) que não havia racismo no Brasil, apontando como prova o número de jogadores de futebol negros com bons salários.
Diêne se disse particularmente chocado com a forte correlação entre racismo, violência e pobreza no país. “O Brasil vive dois mundos. Tem o mundo da rua, multicultural, vibrante e multirracial, que é a imagem que temos do país no exterior. Mas no que se refere às estruturas de poder, político, econômico, social e midiático, o país é diferente, caracterizado pela ausência das comunidades afro-descendentes e indígenas”, declarou.

Da Redacao