Brasília – A Comissão criada pelo reitor Timothy Mulhlland para apurar o caso de racismo envolvendo o professor Paulo Kramer, do Curso de Mestrado do Instituto de Ciências Políticas, entregará na próxima semana o relatório com as conclusões a que chegou.
A Comissão, presidida pelo professor Alexandre Bernardino, do Departamento de Direito, e integrada pelos professores Carla Costa Teixeira e José Leonardo, respectivamente, dos Departamentos de Antropologia e Física – foi constituída em julho do ano passado e tinha o prazo de 30 dias, prorrogáveis por igual período.
O Relatório – cujas conclusões ainda permanecem em sigilo – será primeiro a Procuradoria Geral da Universidade (PJU), onde será analisado pelo procurador José Weber Holanda. Com o parecer de Holanda irá à Reitoria para a decisão final. As penas previstas – caso Kramer seja considerado culpado – são de advertência, suspensão ou exoneração.
Ele é acusado por alunos de, em sala de aula, referir-se depreciativamente aos negros, como “crioulada”. Kramer nega que tenha tido a intenção de ofender, porém, diante da reação dos estudantes, teria acusado um deles – Gustavo Amora – de “negro racista”, membro da “ku klux klan negra”, entre outras expressões consideradas ofensivas.
Em outubro, quando depôs à Comissão, Kramer se disse vítima de uma agenda politicamente correta que ameaça a liberdade de expressão no país e justificou o uso do termo “crioulada” alegando não ter encontrado tradução mais adequada para a expressão black under class”, usada por cientistas sociais norte-americanos para se referir aos negros pobres.
Além do processo administrativo disciplinar no âmbito da Universidade, Kramer também é alvo de um Procedimento de Investigação Preliminar (PIP), instaurado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios para apurar o caso.

Da Redacao