Rio – Rosiane Rodrigues é, muito provavelmente, a primeira religiosa de matriz africana que fará um curso sobre o Holocausto no Museu Yad Vashem, em Jerusalém. Militante do movimento negro no Rio de Janeiro, ela tem um extenso currículo de luta contra a intolerância.
Rosiane é jornalista, publicitária e sacerdotisa do candomblé. Tem um blog no jornal Extra, do Rio, é colunista do Observatório da Imprensa e da Agência Afropress. Seus temas principais são ligados à etnia e à religiosidade. É também fundadora da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), criada na capital fluminense em 2008.
Vítima de discriminação religiosa, ela perdeu temporariamente a guarda de seu filho caçula num processo de regulamentação de visita do pai, em 2007, por ter referências do candomblé dentro de casa. Foi a primeira pessoa a ser atendida juridicamente pela CCIR.
Foi nesta comissão que Rosiane entrou em contato com a Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj), a Associação Religiosa Israelita (ARI) e a instituição cultural judaica Hillel, com as quais realiza trabalho conjunto. Foi o Hillel quem lhe propôs fazer o curso em Israel, que ocorrerá de 9 a 19 de janeiro de 2011.
Ela tem uma grande expectativa com relação à viagem. Preza “a organização dos judeus, seus projetos de valorização da memória cultural e religiosa”. Além de participar do seminário para educadores, no Yad Vashem, escreverá um diário de bordo para seu blog, no Extra. Pretende entrevistar colegas do curso, conversar com judeus etíopes, entrevistar o deputado israelense de origem etíope Shlomo Molla, encontrar pessoas de diferentes orientações religiosas.
Quanto ao tema do seminário, considera-o de importância fundamental: “o Holocausto não é só uma tragédia judaica, ou de outras minorias. É uma tragédia universal”.

Da Redacao