S. Paulo – Lideranças religiosas da Umbanda de S. Paulo denunciaram falta de transparência e dirigismo no processo de escolha de delegados nas Conferências Regionais de Promoção da Igualdade Racial, convocadas pela Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania e Secretaria de Relações Institucionais do Governo do Estado, encerradas neste domingo (31/05).
As Conferências Regionais foram etapas preparatórias para as Conferências Estadual, e Nacional, que acontece em Brasília entre 25 e 28 de junho e será aberta pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“As escolhas de delegados nas conferências regionais, não apenas na situação dos Terreiros, mas em nível geral, estão acima dos limites. As pessoas estão indo para as conferências já escolhidas e não está havendo transparência e democracia nas eleições dos delegados”, afirmou Marcos Canto, Ogã do Ilê Omo Oya, e do Fórum Nacional de Entidades Negras. Ogã é o nome genérico para diversas funções masculinas no Candomblé. É o sacerdote escolhido pelo orixá para estar lúcido durante os trabalhos.
Em S. Paulo, foram realizadas 16 Conferências Regionais e eleitos 800 delegados para a Conferência Estadual marcada para os dias 10, 11 e 12 de junho, no Largo de S. Francisco.
Acusações injustas
Roberto Oliveira, membro da Comissão Organizadora Estadual, da Secretaria de Justiça, acusado pelo líder religioso de autoritarismo e de beneficiar entidades como a UNEGRO e a CONEN e facilitar a escolha de delegados ligados ao PT e ao PC do B, disse que as acusações não são verdadeiras. “Em todas as regionais saíram delegados das religiões. Nunca uma Conferência Estadual terá tanta participação de religiosos de matriz africana”, afirmou.
Segundo Oliveira, as queixas de Canto são injustas.”Nós apenas atuamos como mediadores para a escolha dos delegados que estarão em Brasília nos dias 06 e 07″, afirmou. Nestas datas, a Seppir convocou uma Consulta, em Brasília, com lideranças de todas as religiões de matriz africana do país.
Favorecimento
Para Canto, os critérios partidários e de favorecimento de lideranças ligadas ao PC do do B e ao PT, no entanto, foram evidentes. “Há sim, um favorecimento aquele membro de uma entidade ou outra, como UNEGRO, CONEN e ser filiado a siglas partidárias, como PT ou PC do B. Se a pessoa não for dessas entidades ou partidos politicos, dificilmente tem chances de sair delegada, sem se importarem com a sua história de militância ou ativismo”, acrescentou.
Para ilustrar as denúncias, ele lembrou a reunião na Secretaria de Justiça e Cidadania para a escolha dos líderes religiosos de matriz africana, há cerca de 15 dias. “Sou ogã de Camdomblé, estava na Secretaria de Justiça e Cidadania no dia que houve a escolha dos lideres religiosos para participar da Consulta Nacional, convocada pela Seppir, e fiquei horrorizado com o que vi”, afirma.
As críticas se estendem também a Seppir, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da República que não estaria exigindo das pessoas ou supostas lideranças a comprovação de seus vínculos. “A Seppir e demais secretárias e órgãos públicos estão legalizando o crime de falsidade ideológica e oportunismo político ao permitir a participação de qualquer pessoa nas plenárias, fóruns, reuniões e conferências”, acrescenta uma Carta que está divulgada por religiosos que tem como título “Estamos sendo lesados e excluídos em nossos direitos”.
Para o líder religioso, a Conferência Nacional de Promoção de Igualdade Racial, promovida pelo governo Lula, “entrará para a história como mais um lamentável episódio na história do tratamento dispensado a negros e negros neste país e principalmente pela forma seletiva de escolha de delegados para representar as comunidades tradicionais (terreiros)”.
Segundo a Carta, que é assinada pelo Movimento Chega – idealizado para pomover mobilizações de conscientização política da Umbanda – Guerreiros do Axé – grupo que reúne candidatos afinados com a Umbanda -, Associação Brasileira dos Templos de Umbanda e Candomblé (Abratu) e Jornal do Axé, em S. Paulo, foram escolhidos três representantes do Candomblé e nenhum representante da Umbanda, o que deixou de fora da delegação, lideranças expressivas como os Pais Guimarães (o primeiro da esquerda para a direita na foto) e Pai Varela.
Nas eleições do ano passado, Pai Guimarães (Heraldo Lopes Guimarães), foi candidato a vereador pelo DEM, e apoiou o prefeito Gilberto Kassab. O religioso é também aliado político do ex-Secretário de Justiça de S. Paulo, e uma das principais lideranças do Movimento Negro, Hédio Silva Jr., também candidato pelo DEM nas eleições passadas e hoje próximo ao ex-governador tucano e provável candidato nas eleições do ano que vem ao Palácio dos Bandeirantes, Geraldo Alckmin.

Da Redacao