S. Paulo – As perseguições e a violência contra as religiões de matriz africana não se resumem aos ataques da Igreja Universal, mas se estendem a proibição à prática dos sacerdotes e sacerdotisas das religiões de matriz africana de atenderem os seus fiéis.
Os exemplos mais comuns, segundo o Babalorixá Celso Ricardo de Oxaguian, Pai Celso, são a proibição de os sacerdotes terem acesso às dependências dos Institutos Medico Legal ou aos velórios para fazer os rituais dedicados aos que morrem. Também são proibidos de freqüentar as alas dos hospitais para atender e confortar espiritualmente os pacientes que se encontram internados.
“O Estado brasileiro só é laico quando a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – manda tirar a pílula de circulação”, ironiza Pai Celso, fazendo referência à campanha da Igreja contra os métodos contraceptivos. Segundo Pai Celso, que é coordenador da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde, em São Paulo, o Estado, no Brasil, ignora e não respeita os religiosos de matriz africana. “Não posso fazer os rituais específicos porque os funcionários não nos permitem. Isso acontece também nos hospitais onde não posso confortar os adeptos de religiões de matriz africana. Os demais religiosos podem”, acrescenta.
Essas e outras questões serão discutidas no Seminário Paulista de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde, que terá a participação de religiosos de diferentes tradições afro-brasileiras de vários municípios como S. Paulo, Diadema, São Bernardo, Piracicaba, Suzano e São Roque, no Hotel Shelton (Rua Cásper Libero, 115, centro de S. Paulo), promovido com o apoio do Grupo de Trabalho Aids e Religiões, do Núcleo de Atenção Básica do Programa Estadual DST-Aids.
Segundo Pai Celso, o evento deve caminhar de forma atender alguns documentos da mais alta importância do país, como o Plano Nacinal de Saúde, a XII Conferência Nacional de Saúde, e o I e o II Seminário de Saúde da População Negra do Estado, a Carta de Otawa, a Carta de Recife e os Oito Objetivos para o Desenvolvimento do Milênio.
O Seminário, que será realizado em parceria com o Conselho da Comunidade Negra do Estado de S. Paulo, também discutirá temas relacionados à saúde pública para estabelecer uma agenda para o ano que vem que garanta a promoção da equidade em saúde, considerando o povo de santo.
Veja a Programação
I Seminário Paulista de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde
“O SUS QUE QUEREMOS”
03 de Dezembro.
Hotel Shelton – Rua Cásper Líbero, 115, São Paulo, Capital.
08h. Credenciamento
08h30. Ato Religioso
09h. Execução do Hino N acional Brasileiro.
Coral Infantil Muimba Ua Anna Amukongo – Canto dos filhos do Caçador.
Abertura solene – pronunciamento de representantes de governo, agências internacionais e religiões de matrizes africanas.
LANÇAMENTO
VÍDEO REPORTAGEM – EQUIDADE EM SAÚDE
Programa de Combate ao Racismo Institucional – DFID.
10h30. Mesa Redonda:
Equidade em Saúde: Desafios dos religiosos e dos gestores.
12h – Almoço
13h. – Painel I
Religiões Afro-Brasileiras e Saúde: Visões de Mundo, Trabalho em Rede e a Cultura do Terreiro.
Atividade cultural
Painel II:
Comunidades de Terreiros e suas conexões com o SUS: Planejamento e Recomendações.

Da Redacao