S. Paulo – A ONG ABC sem Racismo protocola na próxima terça-feira (02/01/07) representação junto ao Ministério Público Federal de S. Paulo, em que pede a instauração de procedimento investigatório para apurar a prática de crimes por parte dos responsáveis pela encenação do teatro da escravidão, como está sendo chamada a reprodução teatralizada do período do escravismo, a pretexto da promoção do turismo étnico.
O presidente da entidade, jornalista Dojival Vieira, já conversou com o procurador Sergio Suiama, procurador regional dos Direitos do Cidadão, em S. Paulo, sobre o tema. A representação também será protocolada junto ao Grupo Especial de Inclusão Social, do Ministério Público de S. Paulo, para que apure a ocorrência dos crimes previstos na Constituição e na Lei 7.716/89. no Estado de S. Paulo.
O caso da encenação de episódios do período de escravismo em engenhos de cidades da zona da mata pernambucana, divulgados pelo Caderno de Turismo do Jornal Folha de S. Paulo, causou revolta e indignação de lideranças negras e anti-racistas em todo o país.
Sabe-se que o mesmo está ocorrendo em fazendas do Vale do Paraíba, no Rio. Em S. Paulo, recentemente a Secretaria de Turismo lançou a “Rota do Escravo”, sob o pretexto de desenvolver o turismo étnico.
Personalidades como o cineasta Joel Zito Araújo, João Jorge, presidente do Olodum, o acadêmico, Carlos Medeiros, Ana Felippe, do Espaço Lélia Gonzalez, e o sociólogo Antonio Sergio Alfredo Guimarães, já anunciaram apoio à representação. O Ouvidor da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiz Fernando Martins, também manifestou apoio à iniciativa.

Da Redacao