S. Paulo – Na contramão do movimento negro que luta por esse tipo de iniciativa há anos e da própria ministra da Cultura, Marta Suplicy, o jornalista Nuno Coelho (foto), representante da Fundação Cultural Palmares, em S. Paulo, afirmou à Folha que os editais anunciados pela ministra para beneficiar produtores e criadores negros vão “fomentar o preconceito racial”.
A declaração provocou espanto, em especial porque a Fundação Cultural Palmares – que é presidida pelo ex-ministro da SEPPIR, Elói Ferreira de Araújo – é vinculada ao Ministério da Cultura.
Na Palmares ninguém quis se manifestar sobre a controversa declaração do seu representante em S. Paulo, mas o presidente Elói Ferreira, sem citá-lo, elogiou a iniciativa da ministra. “É um grande avanço que traz as ações afirmativas, na forma preconizada no Estatuto da Igualdade Racial. É o reconhecimento da valorosa contribuição de milhares de artistas, autores, criadores, produtores, e de toda uma cadeia produtiva cultural de negras e negros”.
Ele não participou da audiência em que Marta recebeu a ministra chefe da SEPPIR, Luiza Bairros, para anunciar o lançamento dos editais.
Silêncio
Afropress tentou durante toda a tarde contato com o representante da Palmares em S. Paulo, sem sucesso. Ele não retornou as ligações no seu celular. Nuno Coelho é coordenador licenciado dos Agentes de Pastorais Negros (APNs).
Os editais com a temática afrodescendente direcionados a produtores e criadores negros,serão lançados por ocasião da celebração do 20 de Novembro – Dia Nacional da Consciência Negra. Segundo Marta, o objetivo é estabelecer novo paradigma em que a cultura, em todas as linguagens apoiadas pelo Ministério da Cultura tenha protagonismo de negros.
Sem qualquer manifestação por parte da Palmares em relação a posição do seu representante, em S. Paulo, coube a própria ministra desautorizá-lo.
“É uma justa reivindicação da comunidade negra. É para negros serem prestigiados na criação, e não apenas na temática. É para premiar o criador negro, seja como ator, seja como diretor ou como dançarino. Não é racismo. Isso vai como uma ação afirmativa”, afirmou a ministra refutando a tese de Coelho.

Da Redacao