Santo André/SP – O recrudescimento do racismo e da pregação do ódio racial ressurgiu com força esta semana no ABC paulista – região berço do novo sindicalismo, do PT e da CUT. Uma organização de caráter racista e neo-nazista auto-denominada White Power espalhou pelo centro de Santo André, cartazes em prédios públicos e pontos de ônibus pregando o ódio racial e a defesa da supremacia branca.
Há suspeitas de que o grupo esteja se articulando nacionalmente. No final do ano passado, cartazes pregando o ódio racial foram fixados em prédios públicos em Curitiba. Alguns membros do grupo foram presos, por envolvimento em agressões a homossexuais negros.
Palavras de ordem como “irmão branco, levante a cabeça e imponha seu orgulho e seus direitos”, bem como mensagens contra judeus, bolivianos, coreanos, chineses, nigerianos e contra homossexuais foram espalhadas em cartazes colados na Praça IV Centenário, próximo ao Paço Municipal de Santo André.
Contra os gays os cartazes afirmam: “Se seu pai fosse gay, você não teria nascido”; contra os judeus: “A mídia sionista (judaica) não mede escrúpulos para denegrir nossa imagem”; “nós devemos assegurar a existência da nossa raça e o futuro das crianças brancas”.
O promotor de Justiça Roberto Wider disse que já instaurou inquérito para identificar os responsáveis. Ele disse ao repórter Gabriel Batista, do Jornal Hoje-São Bernardo, que a apologia do racismo constitui crime previsto na Constituição e na Lei 7.716/89.
Também a ONG ABC sem Racismo entrará com representação junto ao Grupo Armado de Repressão ao Crime Organizado, a Delegacia de Crimes Raciais de S. Paulo e ao Ministério Público Federal. A White Power-SP mantém uma página na Internet, em que ensina os seus adeptos como agir se surpreendidos nas práticas criminosas.
A região tem um histórico da presença de grupos neo-nazistas como “Os Carecas do ABC”, envolvidos, nos anos 90, em episódios de violência contra negros, judeus e nordestinos.

Da Redacao