Esse tipo de “movimento” serviu somente como instrumento de silenciamento do que havia de mais vivo no protesto negro: O Movimento na rua, em fúria, demonstrando indignação com a nossa morte cotidiana. Agora resta-lhes publicar os relatório e já era.
Relatórios não refazem vidas, as reuniões comportadas ao lado do lance “da hora” não esconde os cadáveres, os casos insolúveis de brutalidade, execução sumaria e extrajudicial de milhares de negros e negras.
Não adianta bradar por ai que não reagimos, que os negros não fazem nada diante das mortes e abordagens que nos insultam a humanidade.
Em 5 anos da morte do Negro Blul, na conhecida Matança de Nova Brasília, não nos calamos frente a seu tumulo, a cada ano reavivamos sua memória, a cada ano vamos seguindo como somos, de nosso tamanho e de nosso jeito, a cada ano provamos que nosso método não é démodé e que os aliados que nos deixaram por alguns trocados e que voltam as ruas depois da sova que levam da branquitude aliada os faz aprenderem a lição.
Que nosso modo é simples mais efetivo, silencioso por entre becos, vielas e prisões vamos preparando o salto.
Mas sem voz não nos acham por ai.
Reaja e Viva!

Hamilton Borges dos Santos (Walê)