S. Paulo – O restaurante japonês Narita, no bairro da Liberdade, em S. Paulo, poderá ser enquadrado na Lei antirracista – a Lei 7.716/89 – por fazer a apologia ao nazismo e propaganda da suástica. Neste sábado (11/01), os clientes do restaurante foram atendidos por garçons com um uniforme com um símbolo nazista no peito.

Segundo o jornalista Chico Felitti, do Jornal Folha de S. Paulo, que esteve no restaurante o uniforme traz uma suástica dentro de uma coroa de folhas, encimada por uma águia imperial. Na Alemanha nazista o símbolo era conhecido como "Parteiadler", ou águia do partido, adotada como emblema nacional em 1.935, por determinação do próprio Adolf Hitler.

Fazer a apologia do nazismo ou usar ou fazer propaganda da suástica é crime, de acordo com a Lei 7.716/89 – a Lei antirracista. No seu artigo 20, parágrafo 1º, a Lei é clara. "Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa".

O caso deverá chegar ao conhecimento do Ministério Público de S. Paulo, que poderá instaurar Inquérito para apurar as motivações dos autores da idéia de vestirem os garçons com símbolos nazistas.

Reação

A publicitária Camila Bindim, que almoçou no restaurante, disse ter ficado "chocada" com o novo uniforme adotado pelo restaurante. "No primeiro olhar achei que fosse alguém fazendo 'cosplay' [fantasiar-se de personagem de videogame, desenho animado ou história em quadrinho], mas depois vi que eles estavam trabalhando. Pedi para falar com o gerente, mas disseram que ele não estava e fui embora. É muito horroroso", disse ao repórter da Folha.

Um casal que trabalhava na casa se identificou como os donos do Narita, mas não quis revelar seus nomes. "Compramos [o uniforme] pronto. [O símbolo] Significa felicidade para o budismo. Não sei por que as pessoas insistem nisso", disse a mulher a Felittti.

Especialistas discordam. "A suástica nazista tem os braços apontando para o sentido horário, como um relógio. Já essa cruz em sua versão budista "roda" no sentido anti-horário", diz o historiador Caio Ablazimi.

"É que um monte de gente já reclamou hoje. Teve até gente que ligou depois de ir embora", disse o garçom que atendia a mesa da Folha. Depois de falar com a reportagem da Folha um dos empregados subiu ao segundo andar do imóvel e voltou já sem a cruz suástica no peito. "Desculpe qualquer incômodo", disse depois de trazer a conta. "Eu não estou entendendo o que está acontecendo", desculpou-se.

 

Da Redacao