S. Paulo – O primeiro preso político negro assassinado – Luiz José da Cunha, militante da Aliança Libertadora Nacional (ALN) – identificado entre os mortos e desaparecidos pela ditadura militar, terá seus restos mortais finalmente entregues à família.
Para definir a data do ato inter-religioso a procuradora Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, está convocando reunião nesta quinta-feira, 27/07, às 14h30, na Procuradoria da República, em S. Paulo, com entidades comprometidas com a defesa dos direitos humanos e organizações negras, entre as quais a ABC sem Racismo.
Luiz José da Cunha, conhecido como “Crioulo”, foi assassinado e enterrado como indigente no Cemitério São João Bosco, de Perus. Se vivo, ele faria 63 anos em setembro. A ossada foi encontrada sem cabeça e o DNA foi feito a partir do fêmur pelo Laboratório Genomic de S. Paulo. Seus restos mortais, depois de entregues à família, serão enterrados em Recife, junto ao túmulo de sua mãe.
Para a procuradora, “Crioulo” é o primeiro militante de raça negra a ter seu corpo identificado entre os mortos e desaparecidos pela ditadura militar. “Se faz necessária uma congregação de esforços para a realização desta cerimônia”, afirma no convite que encaminhou as entidades.
Quem foi
Luiz José da Cunha nasceu em Recife, Pernambuco, no dia 02 de setembro de 1.943, filho de José Juviniano da Cunha e Maria Madalena da Cunha. Começou sua militância ainda secundarista no Colégio Estadual de Beberibe, Recife, no Partido Comunista Brasileiro.
Por sua dedicação, seriedade e inteligência, foi enviado pelo PCB a Moscou nos anos 60, para participar de cursos de formação teórica e política marxista. Autodidata, gostava de ler e adquiriu uma ampla cultura geral, sobre a história e geografia dos povos, além de uma sólida base teórica marxista.
Em 1965, participou do Comitê Secundarista da Guanabara. È um dos primeiros a aderir à proposta de Carlos Marighela, na formação da Ação Libertadora Nacional (ALN), e a aceitar a participar do treinamento em Cuba, para onde partiu no final de 1968.
Desempenhou papel importante na formação de vários jovens, pois alem das suas qualificações como militante experimentado, sabia ouvir e entender as pessoas, contribuindo muito para suportar as durezas da clandestinidade e da guerrilha. Da mesma forma que amável e ponderado, “Crioulo” – como era conhecido – era firme e decidido em suas decisões, levando até as últimas conseqüências a luta pelos seus ideais.
Dentro da ALN, mesmo nos momentos mais difíceis quando companheiros foram mortos e se fechava o cerco da repressão, Luiz nunca se desesperou. Até o ultimo momento tentou fortalecer os laços com outras organizações guerrilheiras, certo de que a tarefa era grandiosa e exigia a unidade dos que tinham os mesmos ideais. A iminência da morte não lhe atemorizava nem lhe fazia recuar: morreu combatendo pela causa da democracia e do socialismo, a qual dedicou toda sua vida.

Da Redacao