S. Paulo – Em meio a críticas de que até agora o acordo não saiu do plano das boas intenções, acontece nesta quinta-feira, 24/03, à partir das 18h, no auditório da Secretaria da Justiça, (Páteo do Colégio), em S. Paulo, a reunião de representantes brasileiros e americanos que monitoram, em nome da sociedade civil, a aplicação do Plano de Ação Brasil/Estados Unidos para a Igualdade Étnica e Racial – JAPER, na sigla em inglês.
É a primeira vez que há uma reunião desse tipo, em S. Paulo. Todos os encontros, até agora, aconteceram na Bahia e em Brasília, além de outros em Washington e Atlanta, nos EUA, o que suscitou críticas, do lado brasileiro, à excessiva regionalização das ações.
Dos quatro pontos focais brasileiros – designação técnica dos escolhidos para monitorar as ações, em nome da sociedade civil – dois são da Bahia e não há nenhum representante de Estados das regiões Norte, Sul e Sudeste, por exemplo, como S. Paulo, Rio e Minas Gerais.
S. Paulo tem a maior população negra do país, em números absolutos, com cerca de 13,6 milhões de afro-brasileiros.
Acordo
O acordo começou a ser concebido ainda no Governo Bush, em reuniões da então ministra da SEPPIR, Matilde Ribeiro, com a Secretária de Estado Condoleeza Rice e foi assinado na gestão do ex-ministro Edson Santos, em 2008.
A reunião em S. Paulo foi antecedida de outras semelhantes na Bahia e no Rio de Janeiro, e acontece, depois da visita do Presidente dos EUA, Barack Obama, que, ao que se saiba, não tratou do tema nos compromissos oficiais que teve com a Presidente Dilma Roussef.
Segundo o jornalista Paulo Rogério Nunes, do Instituto Mídia Étnica, seu organizador, o encontro deverá ter como pauta informes da atuação da sociedade civil, apresentação da versão inicial do portal do Plano – um espaço virtual colaborativo criado para o monitoramento do acordo pelo movimento social e que pretende facilitar o diálogo sobre a questão racial entre os dois países.
O Portal é fruto de um projeto de US$ 55 mil – o equivalente a cerca de R$ 91 mil -, repassados pela Embaixada americana no final do mês passado, metade dos quais ao Instituto Mídia Étnica para a criação do site, e metade destinado aos representantes americanos.
Portal
Segundo Paulo Rogério, “a expectativa é de que as organizações presentes possam dar sugestões para o desenvolvimento final do site e que seja criado um comitê editorial para a produção de artigos e matérias”.
“O Portal pretende ser também um espaço para a realização de conferências on line com os segmentos envolvidos com o JAPER nos dois países”, acrescentou.
Na reunião também deverão ser pedidas informações a respeito do grau de prioridade que o Plano terá no atual Governo da Presidente Dilma Rousseff.
Ao contrário do lado americano que investiu algum recurso, ainda que pequeno, custeando a ida de lideranças brasileiras aos EUA e outros projetos como o site, não se tem conhecimento de quanto o Governo brasileiro repassou para execução de ações previstas no acordo.
Uma das convidadas para a reunião é a nova Secretaria de Ações Afirmativas da SEPPIR, Anhamona de Brito, que confirmou presença.
Ampliar a discussão
Segundo Altair Lira, coordenador geral da Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doença Falciforme (FENAFAL) e um dos pontos focais da sociedade civil brasileiro, o encontro será um importante momento para articular o movimento negro em várias partes do país em torno do Plano de Ação.
“Não somente para o conhecimento sobre o Plano Brasil-EUA, mas para ampliar a base de discussão do mesmo na sociedade. Este é o momento da análise e discussão das propostas e uma ótima oportunidade de articulação social entre grupos com interesses tão afins quanto a comunidade afro-brasileira e a afro-americana”, afirmou.
As reuniões no Rio e na Bahia, ocorreram, respectivamente, segunda e quarta-feira, na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais, em Salvador, na Casa do Benin, Pelourinho.
Americanos
Além dos representantes brasileiros, também estarão presentes Kimberly Crenshawn e Clarence Lusane, os representantes americanos no Programa,
Kimberly é professora da Columbia University e um dos nomes mais importantes da “Teoria Crítica de Raça” nos EUA. É também fundadora do African American Policy Forum, um instituto dedicado a questão racial, justiça, gênero e direitos humanos sediado na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).
Já Clarence Lusane é Phd em Ciências Políticas pela Howard University e há mais de trinta anos escreve sobre direitos humanos, raça e relações internacionais. Clarence é autor do recém publicado livro “The Black History of The White House” sobre as relações raciais na política estadunidense.

Da Redacao