Tietê/SP – A tradicional Festa de São Benedito, em Tietê, cidade a 127 Km da capital, situada na região sudoeste do Estado, que neste fim de semana comemorou 139 anos, este ano teve uma novidade: São Benedito virou branco, segundo denuncia a professora Rosangela Malachias, fundadora do Grupo Mídia Etnia Educação e Comunicação, que esteve na Festa.
A estátua em tamanho natural, de 1m80, do escultor Romildo Cardozo Santos, inaugurada pelo prefeito Basílio Sacone Neto na praça próxima a Igreja na Rua Rafael de Campos, era de um São Benedito estranhamente embranquecido. “A memória material e imaterial de São Benedito, por séculos, é a de um Santo Negro. Branqueá-lo é negar às crianças, e às futuras gerações, o direito de saber que houve, sim, um santo negro”, afirma Malachias.
Segundo ela, a tentativa de mostrar São Benedito como um Santo branco e não negro foi reforçada pelo Padre Vila Boas, da Paróquia local que, durante a celebração da missa, afirmou que “São Benedito era meio etíope e meio italiano e os etíopes não são tão negros”.
“Fui obrigada, como pesquisadora das Relações Étnico-Raciais, a falar com ele, depois, e explicar que São Benedito é negro. As irmandades presentes ficaram indignadas”, contou, acrescentando que a cidade de Tietê vem excluindo, com atitudes desse tipo, a população negra da Festa.
A Festa reuniu cerca de 60 mil pessoas, de várias cidades do Estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

Da Redacao