S. Paulo – O dia 13 de maio deste ano – que lembrou os 123 anos da Abolição da Escravidão no Brasil – foi marcado por uma manifestação de rua na Praça Ramos em frente ao Teatro municipal, promovida por entidades populares e do movimento negro, e por uma recepção para convidados vips – entre os quais empresários, banqueiros, políticos, um ministro do STF (José Dias Tofolli), o prefeito Gilberto Kassab (ex-DEM, agora no PSD), e o embaixador dos EUA, Thomas Shannon, no Bufett Espaço Rosa Rosarum, promovido pelo reitor da Unipalmares, José Vicente.
No Buffet, Vicente entregou comendas Zumbi dos Palmares da sua ONG Afrobras, a políticos e personalidades ligadas ao mundo do poder e ou das empresas que, na sua opinião, estão contribuindo para melhorar a situação da população negra brasileira.
Segundo o Censo do IBGE 2010, os negros (pretos e pardos) correspondem a 50,7% da população brasileira. Entre os agraciados, políticos, representantes de bancos e o próprio embaixador Shannon. Kassab também foi um dos agraciados.
Protesto
Na Praça Ramos, em frente ao Teatro Municipal, ativistas de várias entidades entidades populares e do movimento negro, enfrentaram a cara feia da Polícia, na manifestação pública de protesto que marcou o Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo.
A PM paulista mobilizou 12 viaturas e um efetivo de 30 homens com armamento pesado para acompanhar a manifestação. Policiais militares apreendeeram faixas e banners com denúncias sobre o número de jovens mortos pela Polícia.
Repressão e censura
Para justificar a censura – proibida pela Constituição do país, que garante a liberdade de manifestação e expressão – os PMs, diziam se sentir ofendidos pelas frases contidas nas faixas e afirmaram que a exposição das mesmas caracterizaria “apologia à violência”.
As faixas traziam os seguintes dizeres: “Abolição se faz com justiça e oportunidade e não com violência da PM” e “Crimes de maio: ontem e hoje a PM continua assassinando negros e pobres”.
A manifestação começou por volta das 12h e se estendeu até a noite. Segundo Douglas Belchior, da Coordenação Geral da UNEAFRO, e membro do Comitê contra o Genocídio da população Negra, cerca de 10 mil pessoas – direta ou indiretamente 0- participaram da manifestação, que também contou com a apresentações artísticas de poesia, Rap e dança afro.
Na véspera do dia 13 de maio, um comando das organizações que compõem o Comitê, levou uma carta com reivindicações ao grupo de deputados da Assembléia Legislativa, exigindo a realização de uma audiência pública para tratar do genocídio da população negra, além de uma CPI das Polícias e milícias que, segundo as entidades, estariam atuando no Estado de S. Paulo.
Os ativistas foram recebidos pelos deputados Adriano Diogo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia e José Cândido, ambos do PT.

Da Redacao