S. Paulo – Termina neste domingo (24/11) a 6ª edição da Feira Paulista de Assentamentos e Quilombos (FEPAQ-SP), aberta ontem, sábado, no Parque da Água Branca, zona oeste de S. Paulo, promovida pela Fundação ITESP – órgão do Governo do Estado responsável por planejar e executar as políticas agrária e fundiária e pelo reconhecimento das comunidades de quilombos em S. Paulo.

Os quilombolas que participam da Feira representam cerca de 1.300 famílias, concentradas na sua maior parte no Vale do Ribeira. No Estado são cerca de 50 comunidades de quilombos, das quais 28 reconhecidas e seis já tituladas, segundo o diretor executivo da Fundação ITEST, Marco Pilla.

No total 54 barracas de assentados, quilombolas e indígenas comercializando sua produção agrícola, especialmente legumes e verduras e expondo e vendendo trabalhos de artesanato. Nas barracas um dos produtos com mais saída são o mel, doces em compota e pimenta, entre outros.

“Essa Feira é importantante porque traz a produção de comunidades de assentados e quilombolas a S. Paulo uma vez por ano diretamente do produtor para o consumidor”, afirmou Marco Pilla (foto), presidente da Fundação ITEST (Instituto de Terras de S. Paulo), que ontem percorreu várias barracas acompanhado da secretária de Justiça e Defesa da Cidadania, Eloísa Arruda e da professora Elisa Lucas, da Coordenação de Políticas para as Populações Negra e Indígena da Secretaria.

Custo acessível

Além da exposição da cultura dessas comunidades a Feira permite o acesso da população paulistana a produtos da agricultura familiar a um custo acessível (uma vez que não há intermediários) e de excelente qualidade, principalmente sem agrotóxicos. “São produtos naturais da terra que fazem parte da produção caseira dessas comunidades e representam um importante item da economia quilombola”, acrescenta Pilla.

“Essa é mais uma oportunidade que as famílias têm de mostrar o seu trabalho, o que eles conquistaram nos assentamentos e quilombos – tudo com muito esforço. Para nós do Itesp, que damos orientação técnica e assistência a eles em todo o tempo, é motivo de alegria perceber que nosso trabalho também deu resultado”, afirmou Pilla.

Em meio ao grande movimento do primeiro dia, Rejane dos Santos, da comunidade quilombola de Brotas, em Araras, disse que a participação na FEPAQ vale à pena. “Como o quilombo fica longe, muita gente não consegue chegar até lá – e com a feira, a gente pode expor bastante coisa, mostrar mais o nosso produto. É ótimo que o ITESP promova sempre a FEPAQ!”, concluiu.

Segundo o presidente do ITESP, além da realização de Feiras não só na capital, mas em outras regiões do Estado, como Presidente Prudente e Andradina, o Governo do Estado ampliará a iniciativa do Programa Paulista de Agricultura de Interesse Social (PPAIS), que visa a compra de forma direta da produção agrícola das comunidades quilombolas para o abastecimento de penitenciárias e hospitais mantidos pelo Estado. O limite de R$ 12 mil por ano – que é a cota da compra em cada comunidade – será ampliado para R$ 22 mil no próximo ano.

 

 

Da Redacao