Nova Iguaçu/RJ – O sacerdote Bruno Pereira, 27, que teve sua casa de santo invadida e
depredada na madrugada de terça-feira (24/11), está sendo ouvido novamente, desta vez pelo delegado titular da 52 DP (Nova Iguaçu), Julio César.
O novo depoimento, que teve início às 15h desta quinta-feira (26/11), foi marcado logo após o término da perícia técnica, realizada esta manhã no Centro Espírita de Umbanda Caminhos de Oxum. A polícia suspeita que fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, localizada na esquina do templo umbandista, sejam os autores do crime.
O sacerdote relatou que há cerca de um mês, três seguidores da IURD quebraram as oferendas que ele havia colocado na encruzilhada e o xingaram. Em seguida refugiram-se na igreja. “Na ocasião fui conversar com o bispo responsável pela igreja. Ele pediu para não registrar ocorrência e me garantiu que isso não iria mais acontecer. Eu confiei nas palavras dele”, explicou.
A equipe do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, de Nova Iguaçu, utilizou técnicas de papiloscopia para tentar encontrar marcas de impressões digitais. “A polícia já tem indícios”, revelou o delegado, que acompanhou todo trabalho da equipe do ICCE.
Fitas da Igreja Universal
Mesmo com uma qualidade avançada de captação de imagens de todo entorno da IURD de Nova
Iguaçu – segundo os policiais é possível acompanhar nitidamente até a movimentação da Via Light, a cerca de 500 m do prédio – o responsável pela igreja informou ao delegado Júlio César que as câmeras de segurança não gravam as imagens. A Polícia pretendia requisitar as fitas de
segurança para aprofundar a investigação.
Solidariedade
Membros da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) prestaram solidariedade ao templo depredado. A partir de agora o sacerdote será assessorado pela coordenadoria jurídica de atendimento ás vítimas de intolerância. “É fundamental que as vítimas denunciem e registrem
queixa na polícia. Aqui na Baixada é muito comum este tipo de agressão, mas as pessoas ainda têm medo de denunciar. Que este caso sirva de expemplo para que ninguém mais fique calado diante de tamanha violência”, afirmou o babalawo Ivanir dos Santos, porta-voz da CCIR.
Padre Gegê, da paróquia de Higienópolis, levou uma carta de apoio assinada pelo Fórum Dom Helder, de macroecumenismo da Igreja Católica. O muçulmano Salah Al-Din Ahmmad
Mohammad, da Sociedade Beneficente do Desenvolvimento Islâmico, fez questão de ressaltar que atitudes como esta (de depredação e violência) são uma aberração aos três livros: “A Torá, o Alcorão e a Bíblia garantem a todo ser humano o direito ao livre arbítrio. Cometer um ato como este é atentar contra os mandamentos de Deus”.
Revolta
Num clima de dor e revolta, religiosos pedem justiça e punição aos criminosos. “Tudo que nós queremos é que a Justiça seja feita e que os culpados sejam encontrados e punidos. Ninguém imagina que uma coisa dessas pode acontecer com a gente.O dano material é ínfimo diante da perda emocional e de violência à minha fé. Essas imagens são como familiares. Parece que tiraram um pedaço do meu coração. Não gosto nem de olhar para isso (referindo-se às imagens quebradas e reviradas), desabafou o sacerdote.

Da Redacao