Salvador – Centenas de pessoas promoveram na noite desta terça-feira, 26/10, em frente à Secretaria de Segurança Pública da Bahia, a “Vigília pela Vida”, marcando o lançamento da campanha de mobilização contra a violência racial sofrida pela população negra que tem como lema “Reaja ou será Morta” Reaja ou será Morto”.
A mobilização teve o apoio de núcleos negros universitários, sindicatos e organizações do movimento negro e de direitos humanos e sexuais, que desde abril passaram a se mobilizar nos bairros da capital baiana para chamar a atenção da população.
Segundo Hamilton Borges, do Movimento Negro Unificado (MNU), é preciso dar um basta ao genocídio da comunidade negra. Na semana passada foi entregue documento ao relator especial da ONU Doudou Diêne, denunciando a escalada de mortes que atingem os jovens negros, na sua maioria vítimas de grupos de extermínio nos bairros da periferia. A média de jovens mortos nos bairros de Salvador é de sete a cada fim de semana, na sua maioria em idade entre 15 e 35 anos.
Hamilton disse que a população negra de Salvador – que representa mais de 80% da população – também sofre as conseqüências do racismo representado pela falta de atendimento nos postos de saúde, dificuldades de acesso aos serviços culturais e na homofobia contra travestis e gays negros.
A população negra, segundo ele, também sofre as conseqüências do ódio religioso por parte das igrejas neopentecostais que atacam indiscriminadamente as religiões de matriz africana.
Há dois anos – em 2.003 – uma sacerdotisa do candomblé sofreu um enfarto fulminante após ver sua foto num jornal da Igreja Universal, com a legenda “mãe de encosto”. O caso resultou na condenação da Igreja pelo Tribunal de Justiça da Bahia.
Além das manifestações de rua, a campanha anti-racista prevê o lançamento de um manual de sobrevivência do negro em Salvador e na região metropolitana, com informações sobre os direitos previstos na Lei. Também está previsto a entrega de um dossiê aos governos Municipal, Estadual e Federal, com dados sobre as mortes e os casos de discriminação.

Da Redacao