Esta é a 6º carta que te envio em 06 anos da Matança de Nova Brasília que tirou sua vida, estamos ainda  lutando por sua memória, você sabe. A justiça baiana e seletiva Blul, se fosse um jovem branco já tinham solucionado esse crime hediondo, mas você é preto parceiro.

Hoje fomos depositar flores em seu túmulo, ainda estão lá, o vazo das flores que Afro Jhow ofereceu na lápide 71. Hoje acendemos umas velas e falamos com você como se você estivesse presente, espero que você tenha recebido nossa homenagem, a noite, no Pelourinho,  faremos um tributo com muita música por seu nome…é o que fazemos Blul, não esquecemos, por mais que tentem nos apagar da história, fingir que não existimos, nós fazemos da memória uma ferramenta politica.

Bronca sumiu, acho que para tratar da vida, ele cansou de nossas reuniões com o Governo que não dão em nada, conselhos, fóruns, Bronca cansou de conversa, bronca falava em ação direta …nós …seguimos nosso caminho até onde pudermos Blul, se é que me entende.

Pessoas do Brasil inteiro falam em seu nome hoje, pessoas de Movimentos Sociais, lutadores do povo que insistem em pensar em outro modelo de Estado no lugar desse Estado que te fez tombar na precocidade de sua vida rica de perspectivas.

Lembramos hoje de seu nome mas também o nome de Aurinda e Roquielson, Alax e Riquinho, Bolado, Carlos Maia, Jean, Evangivaldo e DJ La, dos meninos indefesos pelas ruas de São Paulo, das comunidades ocupadas no Rio.

Vou sair aqui Blul, ontem a policia invadiu o complexo de delegacias dos Barris, jogaram bomba, torturaram e ficou por isso mesmo, nenhum movimento desses simpáticos e treinadinhos chora essas vidas moduladas em tragédias ou as mortes que carregamos em nossa memória como a sua …vamos dar um grito sempre.

Tem gente nova segurando essa luta, nova como você quando partiu é a certeza que a luta vai continuar.

Negro Blul, Presente!!!!!

Hamilton Borges dos Santos (Walê)