O presidente, para levantar a platéia, falou de suas viagens em apoio a países africanos, da Faculdade Luso-africano-Brasileira, no CE, e falou dos navios construídos em Pernambuco, lembrando que, ao primeiro, foi dado o nome de João Candido, e o terceiro se chamará Zumbi dos Palmares.
Mas sobre a patente de Brigadeiro para os Mestre Sala dos Mares, não disse nada; para a indenização merecida aos familiares dos revoltosos, nem ele, nem o ministro, disseram nada.
Optou por falar de criança, de ProUni, de Bolsas Família, “que ajuda um pouquinho”, segundo o presidente.
O Ministro Elói, por seu turno falou, falou, falou e não disse nada. Historiou, de forma institucional, diminuindo o papel do MN, e dando ênfase a parlamentares, ministros e outras figuras. Demonstrando não conhecer nada de MN, não é do ramo.
Atribuiu o protagonismo das leis aprovadas na Constituinte a proposição de parlamentares. Nem tem idéia do que teria sido a Jornada do Negro Pela Assembléia Constituinte de 1985, tampouco tem conhecimento do que foi a Convenção Nacional do Negro em 1986.
Falou de avanços no Estatuto, que não conseguiu apontar, fez elogios ao Edson Santos, ao Paim e ao Lula, como era de se esperar. Ali estava um burocrata, sem conhecimento de causa, que cumpre mecanicamente o tempo que lhe resta no Governo. Elogiar seus padrinhos e tentar dar alguma razão ao minoritário Estatuto entre os negros. Afinal sua tarefa é ser cabo eleitoral, é tentar faturar eleitoralmente para os indicadores.
Enquanto isso um cordão dos puxa-sacos batia palmas. Na frente, três personagens negros surpreendiam, efusivamente mais felizes que os seus patrões. Como Zé do Patrocinio, davam vivas a cada palavra do Rei libertador. Regozijavam- se eufóricos a liberdade patética, com que foram brindados, orgulhosos por agora, por se juntarem a Casa Grande.
À frente, toda a Casa Grande, ternos bem talhados de 500 dólares, roupas de marca, e um sentimento de tédio, ali por obrigação, a mando do chefe. Herdeiros do escravismo, euro-descendentes se congratulavam, pela manutenção de seus cargos e altos salários. Nenhum deles jamais se sensibilizou com o genocídio da juventude negra, com os assassinatos e a enganação burocrática que atrasa a vida dos quilombolas. Havia muito pequeno burguês, classe média lacaio, cumprindo ali a formalidade de aplaudir a farsa legitimada pelo patrão.
Atrás, escondidos, e de pé, lá estava nosso povo, aplaudindo a segunda Abolição. A Lei Áurea do Lula, do DEM, do Paim e do Edson Santos, 122 anos depois. A conta-gotas, essa rapaziada chega a algum lugar em 100 anos. E salve o rei e seus súditos!

Reginaldo Bispo