Santos/SP – A abertura da audiência pública para tratar das cotas no serviço público de Santos, teve a participação do poeta Giba do sapatinho, que brindou a plateia com a apresentação cultural “Heróis da Resistência”. O encontro aconteceu anteontem, quarta-feira (13/11), na Câmara Municipal.

A palestra foi comandada pelo advogado, jornalista e editor da Agência de Notícias Afropress, Dojival Vieira, que iniciou sua fala apresentando o contexto histórico e cultural de colonização do país. A audiência foi uma iniciativa da Comissão Especial de Vereadores que trata das Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Étnica, presidida pelo vereador Ademir Pestana (PSDB).

Ele é o autor do Projeto de Lei que trata das Raciais no Serviço Público. A matéria teve parecer favorável da Diretoria Jurídica da casa.

Dojival Vieira fez uma explanação sobre o que são as Políticas de Ações Afirmativas e em seguida explicou, didaticamente, o que são as cotas raciais e quais os mecanismos utilizados para a implantação efetiva desse instrumento de inserção dos negros no mercado de trabalho e nas universidades.

Com uma plateia muito atenta, o palestrante fez um resgate das políticas implantadas no Brasil e o quanto essas leis não tiveram efeito prático e objetivo na vida dos negros. Eram leis pra “inglês ver”, comentou. Fez ainda um resgate histórico do negro no Brasil desde a colonização.

O vereador Ademir Pestana classificou o momento, verdadeiramente histórico para a cidade e região. “Temos muito o que aprender, mas estamos no caminho certo, ainda que lentamente, caminhamos”, disse. Os debates ocorridos depois da fala do palestrante também foram muito ricos e suscitaram questionamentos.

Duante o encontro, Felipe, militante e ativista da Educafro, questionou o porque da ausência de entidades tradicionais do movimento negro de Santos, como a Afrosan e a Casa da Cultura da Mulher Negra, dirigida há décadas por Alzira Rufino. Comentando a ausência dessas entidades, o vereador negro Martinho Leonardo, destacou: "Todas foram convidadas pela Câmara Municipal de Santos e, na minha opinião, o pior crime é o crime da omissão. Essa é uma luta de todos os negros e cidadãos santistas que lutam por uma cidade com igualdade de oportunidades", afirmou.

 

Da Redacao