Santos – Ativistas da Rede Educafro e de Organizações Negras da Baixada Santista, como a Unegro e o Movimento Brasil Afirmativo participam nesta segunda-feira (12/05), da IV Marcha Noturna Baixada Santista “Aboição Não Concluída: 120 anos sem Reparações”, que marca a passagem do 13 de maio deste ano.
A concentração para a Marcha começa às 18h30 na esquina das Avenidas Rangel Pestana com Ana Costa, ao lado da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), local onde os historiadores afirmam ter existido o Quilombo do Pai Felipe. Em seguida a manifestação percorrerá toda a Avenida Ana Costa, uma das principais de Santos, até a Praça Independência, no Gonzaga.
Na convocatória para a Marcha a Educafro e as organizações que apóiam a Marcha destacam que a Lei Áurea foi uma farsa, porque, na prática, quando foi assinada “aproximadamente 5% do povo negro vivia ainda sob regime de escravidão, ou seja, nós negros e negras conseguimos a libertação através dos próprios esforços”.
Também enfatiza a necessidade de reparações por parte do Estado brasileiro e exige do mesmo o compromisso de adotar políticas públicas para realizar reparações históricas por conta dos quase quatro séculos de exploração e genocídio provocados pelo sistema de escravidão”.
“Vale ressaltar que após a assinatura da Lei Áurea o Estado Brasileiro não desenvolveu ações de inclusão da população negra na sociedade, ao contrário, criou novos mecanis-mos de exclusão e empobrecimento”, afirma o documento.
Quilomobo do Pai Felipe
O trajeto para a IV Marcha Noturna de Santos foi escolhido para lembrar que um dos mais importantes Quilombos de Santos – o do Pai Felipe – ficava junto à encosta do Monte Serrat, na parte interna da atual CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). O Rei Batuqueiro, como era conhecido liderava os negros fugidos do Engenho Nossa Senhora das Neves, situado em terras continentais.
Inicialmente, ele se fixou no Quilombo do Jabaquara com seus companheiros. Como Pai Felipe não quis se submeter a Quintino de Lacerda foi para o sopé do Monte Serrat. “É de lá que começa-remos a nossa marcha rumo ao bairro mais nobre de Santos que ouvirá a onda negra que reivindica por uma sociedade anti-racista, justa e igualitária. Êa povo negro”, afirmou o ativista João Roberto de Jesus Filho, da Unegro.

Da Redacao