Cantando músicas e palavras de ordem anti-racistas, tendo à frente uma comissão formada por representantes de religiões de matriz africana e dirigentes da ONG ABC SEM RACISMO, ativistas de S. Bernardo caminharam pela Marechal Deodoro, na manhã de ontem, na I Marcha do Povo Negro por Direitos e Cidadania.
A Marcha, iniciada no estacionamento da Rede WalMart terminou na Praça da Matriz com a coleta de mais de mil assinaturas em um abaixo-assinado a ser encaminhado aos Presidentes da República e do Congresso Nacional, pedindo a aprovação imediata do Estatuto da Igualdade Racial, em tramitação no Congresso há mais de 10 anos.
Mesmo a garoa fina que caiu durante todo o percurso não esfriou o entusiasmo dos participantes, entre os quais se encontravam estudantes da Rede Educafro, de Cursinhos Pré-Vestibulares, e jovens militantes de grupos anti-racistas como o Espaço Socialista e o Instituto Che Guevara.
Enquanto caminhavam pela Marechal Deodoro, sob o olhar curioso dos transeuntes, os manifestantes distribuíram um “Manifesto”, em que lembram a importância do 20 de Novembro – Dia Nacional da Consciência Negra – e o “sacrifício e a morte de Zumbi – o líder maior do Quilombo dos Palmares, símbolo da luta contra a opressão e pela liberdade”.
“Em todo o Brasil, o povo negro se ergue para levantar suas bandeiras. Não aceitamos mais figurar nas estatísticas apenas como números que retratam nossa situação de exclusão no acesso ao Emprego, à Educação, à Moradia, e submetidos ao preconceito e à discriminação em nosso cotidiano”, afirma o documento.
O Manifesto termina com a reivindicação de políticas públicas que melhorem a vida do povo negro em S. Bernardo e do ABC e a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, projeto do Senador Paulo Paim, que tramita no Congresso há mais de 10 anos, e que resume as principais bandeiras e reivindicações da população negra. Na Praça da Matriz, em mesas colocadas próximas à calçada, dezenas de pessoas – de todas as raças e cores – iam se chegando para assinar o Abaixo Assinado a ser encaminhado à Brasília em um Movimento, lançado pelo Grupo Olodum, da Bahia, e encampado por entidades negras de todo o país, que pretende coletar 1 milhão de assinaturas para pressionar pela aprovação imediata do Estatuto da Igualdade Racial. Em menos de três horas, mais de mil pessoas tinham passado pelas duas mesas instaladas na praça. O movimento de coleta de assinaturas, em S. Bernardo e no Grande ABC, continuará até o dia 30 deste mês, quando será marcada a data da entrega aos organizadores do movimento nacional de coleta. Segundo o presidente da ONG ABC SEM RACISMO, o jornalista, advogado e poeta, Dojival Vieira, a I Marcha por Direitos e Cidadania, é um marco na história do movimento anti-racista de S. Bernardo, porque conseguiu unir a juventude e outros setores da sociedade para chamar a atenção para o fato de que a luta contra o racismo e pelo respeito e valorização da diversidade não pertence nem é monopólio de partidos, mas de toda a sociedade. “Quem pretender vestir a grandeza da nossa Causa na camisa de força de partidos ou de grupos – ou em campo de disputa partidário – já perdeu o bonde da história. Nossa causa não é de Partido. É inteira.” Segundo ele, é fundamental unir a comunidade negra de S. Bernardo – composta de cerca de 200 mil pessoas -, construir canais de diálogo e interlocução com a sociedade e com o Poder Público para viabilizar a implementação de ações afirmativas e de políticas públicas nas áreas da Educação, Saúde, Mercado de Trabalho, Mulher, Esportes e Direitos Humanos. “O fim do apartheid não declarado que exclui dos direitos básicos e de cidadania, a população negra e pobre, deve preocupar e interessar a toda a sociedade” – concluiu.

Da Redacao