S. Paulo – O sargento da Polícia Militar de S. Paulo, André Luiz Ferreira, agrediu covardemente o estudante negro Nicolas Menezes Barreto, na manhã desta segunda-feira (09/01), nas dependências do Diretório Central dos Estudantes da USP, durante a operação determinada pelo reitor João Grandino Rodas para a desocupação do espaço usado pelo DCE.
Durante a operação, uma aluna do Curso de Matemática – Ana Paula, grávida de cinco meses – também foi alvo da truculência dos policiais.
Selvageria
As cenas com a agressão gratuita do estudante negro ganharam imediatamente as redes sociais e provocaram revolta.
O policial discutia com estudantes do DCE a desocupação do espaço, quando avistou Nicolas do outro lado da porta de vidro. Foi o bastante para que deixasse a roda onde estava e se dirigisse aos berros, atravessando a porta: “Você é estudante daqui? Você é estudante daqui? Mostre a carteirinha prá mim”.
Assustado, o rapaz só teve tempo de responder: “Eu sou”. Foi então agarrado pelo policial descontrolado. “Eu sou policial eu quero que você mostre o documento prá mim. Eu sou policial”, vociferava, chegando a sacar a arma do coldre, enquanto arrastava Nicolas para fora da sala aos safanões.
Diante do protesto de outros estudantes que assistiam a cena, e denunciavam a agressão e o abuso da autoridade, o policial questionou. “O que você sabe de abuso de autoridade? Não venha gritar comigo”, disse já em frente, enquanto continuava a sacudir Nicolas.
Afastamento
No final da tarde, o Comando da PM paulista anunciou o afastamento do sargento durante o tempo que durar a sindicância instaurada pela corporação – cerca de 60 dias. Também foi anunciado o afastamento do soldado Rafael Ribeiro Fazolin, que participou da operação.
Na entrevista coletiva convocada às pressas, o comandante da PM na Zona Oeste, coronel Wellington Venezian, chamou a agressão de “destempero emocional” e reconheceu que o fato de Nicolas ser ou não estudante não fazia qualquer diferença, uma vez que a Cidade Universitária é um espaço público.
“É uma atitude que não é o padrão da Polícia Militar de São Paulo. O que ocorreu foi um desequilíbrio emocional do sargento”, afirmou o coronel.
Punição exemplar
A notícia do afastamento do policial, segundo o coordenador do Núcleo de Consciência Negra da USP, Leandro Salvático, não é suficiente. “Foi uma agressão covarde e nós exigimos punição exemplar nesse caso”, afirmou, acrescentando que a violência gratuita do policial “é a maior evidência da justeza da reivindicação da comunidade universitária pela retirada da PM do campus da USP”, afirmou.
Salvático disse que nesta terça-feira (10/12) haverá uma reunião às 18h30 para debater as providências que serão tomadas.
Repercussão
As imagens chocantes da agressão do policial encheram as redes sociais e provocaram a reação do cineasta Joel Zito Araújo, que postou no seu facebook: “Observem o detalhe desta cena de agressão ocorrida na USP. O PM identifica do outro lado do vidro um jovem negro, vai e ataca violentamente porque alguma coisa lhe deu a segurança que aquele rapaz não poderia ser um estudante da USP. Imagina o quê? Do lado de cá do vidro ele dialogava, do outro, ele não aceita qualquer “insubordinação” e arrasta iolentamente o rapaz, chega a puxar a arma exigindo ver a carteirinha do estudante. Resumo da ópera: é publico e notório que até mesmo para os mantenedores da ordem que a USP não é lugar para jovens negros”.
Segundo o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade (Sintusp), Magno de Carvalho, os policiais estão aproveitando o período de férias para provocar conflitos pois a reforma está paralisada e sem previsão de conclusão.
“Inventaram a reforma da reforma, para expulsar os estudantes do DCE. O clima só não está explosivo na USP por causa das férias, mas durante o ano letivo a situação ficará insustentável”, afirmou.
Segundo Carvalho a violência também se estendeu a outros estudantes. “As agressões continuaram, mas os policiais impediram as filmagens. Um aluno, inclusive, teve uma arma apontada para a cabeça. Nós estávamos em uma reunião e chegamos a tempo de presenciar as cenas. Os PMs tentaram levar uma aluna presa, mas como havia mais gente, conseguimos impedir. Já solicitamos uma reunião com a reitoria”, relatou.
Veja o vídeo:

Da Redacao