Rio – O sargento da PM, Marcelo Conceição da Silveira, 40 anos, constituiu advogado e entrará com ação de reparação por danos morais por racismo contra o procurador do Estado do Rio, Cláudio Roberto Pieruccetti. Ao tentar ajudar um amigo, que visivelmente alcoolizado provocou um acidente de trânsito, em junho passado, na Avenida Vieira Souto, Pieruccetti, na discussão com o policial, colocou a carteira de procurador na cara do PM, a quem teria se dirigido com a seguinte expressão: “Quem você pensa que é? Você é apenas um crioulo de farda”.
Segundo o advogado do sargento, Lucilo de Almeida Bueno, a ação já está pronta, aguardando apenas serem anexados dois documentos – os depoimentos das duas testemunhas do acidente. A indenização pedida é de R$ 150 mil reais. Além disso há um processo criminal tramitando na 5ª Vara do Rio.
Bueno, disse que foi procurado há cerca de um mês pelo militar, que foi gravemente ofendido no exercício de sua atividade profissional, para entrar com a ação. “Na Corporação ele não recebeu solidariedade. Eu acreditei que o Comando (da PM) fosse dar uma assistência a ele, que é um policial exemplar, mas infelizmente isso não aconteceu. Em 15 anos de PM não há qualquer anotação contra ele”, afirmou.
Para lembrar
Logo após a prisão, a poderosa Associação dos Procuradores do Estado do Rio, passou a difundir a versão na mídia de que tudo não passara de um mal entendido, afirmando não ter havido nem sequer injúria, muito menos registro de racismo. A versão foi corroborada com o aditamento do Boletim de Ocorrência em que o procurador nega ter chamado o policial de “crioulo”, mas faz questão de registrar que, apesar de não ter ofendido ninguém “pedia desculpas, caso o policial tivesse se sentido ofendido por alguma coisa”.
Pieruccetti chegou a ser levado para a 14º DP, onde o crime de racismo foi desqualificado para injúria racial, o que lhe permitiu ficar livre após pagamento de fiança de R$ seis mil.
Segundo testemunhas, o incidente que acabou com a prisão do procurador ocorreu na seqüência de uma colisão na madrugada de 24 de junho, domingo, no trecho da Avenida Vieira Souto, entre os hotéis Ceasar Park e Sol Ipanema, envolvendo o Pálio placa LNL 6403 e o Fox placa KXV 0499.
O motorista do Fox, Elias Camilo Jorge Jr., amigo do procurador, visivelmente alcoolizado, teria sido o responsável. Ao socorrê-lo, o procurador queria levá-lo para um hospital particular, em vez do Miguel Couto, como queria o policial, o que deu início à discussão e a ofensa racista.

Da Redacao