S. Bernardo – Depois de mais de 35 anos instalado no bairro Batistini, em São Bernardo do Campo, o Terreiro Ile Alaketu Axé Airá, do Tata Pérsio de Xangô, foi finalmente reconhecido legalmente como Templo religioso e beneficiado com a isenção tributária, deixando de pagar IPTU.
O pedido foi feito há 9 anos. Em setembro do ano passado o prefeito Willian Dib, de São Bernardo, recebeu em audiência, o advogado e ex-Secretário de Justiça de São Paulo, Hédio Silva Jr., acompanhado de Tata Pérsio, Mãe Carmem da Oxum, Pai Karlito de Oxumarê, Mãe Maria Emília de Oiá e do Toy Vodunnon Francelino de Shapanan, falecido em fevereiro deste ano.
Segundo Tata Pérsio, foram 9 anos de batalha para conseguir o reconhecimento e a isenção do IPTU. “Quando cheguei aqui há 35 anos isto era só mato, rio e lagoa. Aos poucos, com muita dificuldade, fomos erguendo o Templo de Xangô. A Ele agradeço por esta vitória. Agradeço ao doutor Hédio, nosso advogado, um amigo desta Casa. Não fosse ele nosso pedido ainda estaria engavetado.”, afirmou.
O sacerdote enfatizou a importância de uma tomada de consciência por parte do povo de santo, quanto aos seus direitos como cidadãos. “Nosso Povo tem que tomar consciência dos seus direitos. Quantos Terreiros em São Paulo pagam IPTU? Posso dizer que praticamente todos. Isso só vai mudar quando as pessoas conhecerem mais seus direitos e deveres. Por isso, junto com o Dr. Hédio, o Ilê Axé Airá vai passar a dar cursos para Babalorixás e Iyalorixás conhecerem e exercerem tudo aquilo o que a lei nos garante”, acrescentou.
Por sua vez, o ex-Secretário de Justiça, Hédio Silva Jr., destacou a importância da conquista. “Trata-se de uma conquista visto que a lei existe há décadas mas o Povo de Santo desconhece seus direitos e acaba não exercendo-os. Agradeço ao Tata pela confiança e à Mãe Luizinha, seu braço-direito, pela paciência e dedicação ao longo destes 9 anos. Agradeço também ao Prefeito Dib por ter-nos recebido prontamente. Mas foram 9 anos de luta. Quem irá pagar essa conta? Estamos estudando uma fórmula para que o Pai Pérsio seja ressarcido dos pagamentos feitos indevidamente, já que o Terreiro está no local há 35 anos e o pedido foi feito há quase uma década”, concluiu.

Da Redacao