Salvador – Passados 23 dias da posse da posse da socióloga Luiza Bairros no cargo de ministra chefe da SEPPIR, seu nome continua no site da Secretaria Especial de Políticas da Igualdade da Bahia (SEPROMI), porque o governador Jacques Wagner ainda não decidiu quem vai substituí-la na Secretaria estadual.
A indefinição do governador aumentou a disputa pelo cargo envolvendo lideranças negras e as várias tendências do partido do PT baiano. Entre os nomes cotados estão o deputado estadual Bira Corôa, do PT, Gilberto Leal, da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) e Arany Santana, ex-Secretária Municipal de Reparação de Salvador, esta última com o apoio dos Blocos Afros como o Olodum e o Ylê Ayê.
Bom senso
O diretor do Olodum, João Jorge Rodrigues, (foto) lançou manifesto em defesa do nome de Arany e fez um apelo ao “bom senso do governador Jaques Wagner, do PT e de todos os envolvidos neste tema”.
“Mais uma vez ficamos surpresos com a possibilidade uma tendência partidária tentar evitar a indicação de uma mulher negra competente e com ampla base de atuação na luta contra a discriminação racial para uma secretaria criada para promover a igualdade racial e das mulheres. Os blocos afros da Bahia que deram apoio a candidatura do Governador Jacques Wagner o fizeram depois de confirmar que este seria um aliado pela ampliação da luta contra a discriminação racial na Bahia e no Brasil”, afirmou João Jorge.
Segundo ele, “a única secretária negra com base na luta contra o racismo, com apoio dos terreiros de candomblés, blocos afros, do samba, dos operadores do Direito é Arany Santana”.
“A tentativa de indicar um homem branco para a SEPROMI, ou qualquer pessoa que não tenha experiência e vontade de participar da emancipação dos afro-brasileiros da Bahia é um erro histórico”, acrescentou. Embora não tenha citado nomes, o homem branco seria o deputado estadual Bira Corôa.
João Jorge lembrou que os deputados federais negros da Bahia são apenas quatro em 39 parlamentares “e nenhum destes tem autorização do nosso povo e da nossa gente para impedir que uma negona como Arany Santana seja uma secretária da Promoção da Igualdade Racial e da mulher indicando A ou B por preferência partidária ou de tendência”.
“Trata se de uma questão de respeito com a comunidade negra e com as mulheres. Confiamos no bom senso do Governador da Bahia Jacques Wagner, do PT e de todos envolvidos neste tema. É hora de avançar teremos apenas uma secretaria negra com vínculos com todos os setores do povo negro entre os vinte e dois secretários da Bahia ou seja ainda temos muito que lutar para a igualdade sonhada na Revolta dos Buzios de 1798”, concluiu.

Da Redacao