Salvador – A Secretaria Municipal de Educação de Salvador está adotando no currículo livro de teor racista que estimula o preconceito, a discriminação, o bullying e até a evasão escolar. Segundo denúncia do vereador Silvio Humberto (PSB) presidente da Comissão de Educação, o livro “As Bonecas de Fernanda”, que é adotado para alunos do 2º ano, atual 1ª série, estimula a discriminação racial.

O vereador, que é um dos fundadores e foi durante anos dirigente do Instituto Cultural Steve Biko, fez a denúncia da tribuna de honra da Câmara na sessão da última quarta-feira (20/02). Ele propôs a convocação do Secretário da Educação João Carlos Bacelar para explicar-se. Silvio Humberto quer também que o secretário apresente à Câmara o Plano de Educação antirracista que será utilizado em sala de aula pelos professores da rede municipal de ensino.

“Cumprirei o meu papel de fiscalizar o Executivo. Não podemos admitir esse descaso com o dinheiro público e muito menos com a consciência dos nossos estudantes”, completou Silvio Humberto.

Racismo

O texto "As Bonecas de Fernanda", de 1965, compara duas bonecas, uma feia e uma bonita. A bonita é associada a uma garota de nome Tereza, loira, de olhos azuis e que está sempre bem vestida; a feia é descabalada, vive descalça e não tem nome. 

De acordo com Silvio Humberto, o texto estimula o preconceito, a discriminação, o bullying e até mesmo a evasão escolar. "Esse texto está na contramão de todos avanços conquistados ao longo desses últimos anos. A Lei 10.639/03 completou uma década e a Prefeitura adota um texto racista que, ao invés de elevar a autoestima do estudante, contribui para proliferar uma série de problemas que vem sendo combatidos pelo Movimento Negro. Demonstra a falta de compromisso", destacou.

Confira o texto, que o vereador denunciou como tendo caráter racista.

AS BONECAS DE FERNANDA

Fernanda tem duas bonecas
Uma é linda de se ver,
A outra coitadinha,
É feinha de doer.

A bonita se chama Teresa.
Tem olhos grandes olhos azulados,
Usa vestido de seda clarinho
Com botõezinhos dourados.

A feia não tem nome,
Nem mesmo um apelido,
O vestido que usa é velho,
Rasgado e encardido.

A bonita tem cabelo loiro,

Todo ele trançado.

Quando se puxa uma corda,

Vira a cabecinha pro lado.

A feia tem  pouco cabelo

De tanto que já foi puxado.

 

Da Redacao