Brasília – Garantindo não guardar mágoas e dizendo ter a consciência do dever cumprido, o economista Mário Lisboa Theodoro, 55 anos, deixou nesta sexta-feira a secretaria executiva da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), conforme noticiou a Afropress, com exclusividade há dois dias. A exoneração, a pedido, deverá ser publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 04 de março.

“No meu entendimento, só valeria a pena ficar com unidade interna, uma unidade maior. Ponderei com a ministra Luiza Bairros que deveria haver mudanças. A ministra não aceitou e a mudança foi a minha saída”, contou por telefone, ao editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira, no por volta das 20h30 desta sexta-feira, enquanto se preparava para deixar o prédio da SEPPIR na Esplanada.

Segundo ele, a primeira conversa com a ministra aconteceu em dezembro do ano passado e a entrega do pedido de exoneração há três dias. O secretário executivo teria sido, segundo versão corrente, mais uma vítima da disputa política que opõe o grupo de assessores diretamente ligados a Bairros com atuação em seu gabinete e a secretaria executiva. A gota d’água teria sido divergências sobre a quem deveria caber a execução do Plano Brasil Afirmativo, concebido e elaborado por Theodoro e pronto para ser executado.

Linhas diferentes

Theodoro nega. Porém, admite “divergências de ponto de vista, de estilo de gerenciamento, de estilo das pessoas”. “Tem duas coisas que não são exatamente como foram colocadas. Eu não posso me contrapor a ministra Luiza Bairros porque foi ela quem me trouxe para o cargo. A outra é que a Secretaria Executiva não executa, a execução é feita pelas próprias Secretrias, como a Secretaria de Ações Afirmativas, por exemplo. A minha saída tem a ver com uma percepção de estratégia diferente em função das coisas que devem acontecer em 2013, como a Conferência de Promoção da Igualdade Racial" [marcada para outubro deste ano], afirmou.

Cauteloso nas respostas, ele evitou explicitar o que considerava como unidade necessária para ficar no cargo, onde permaneceu por dois anos e um mês. Disse apenas que defendia ponto de vista diferente quanto a estratégia a ser adotada. “Defendia uma linha mais integrada da secretaria executiva com as demais secretarias. Acho que deve haver mais integração. A ministra não concordou com isso. Achei melhor sair”, acrescentou.

Bom momento

O agora ex-secretário executivo entende que o momento é favorável para as políticas de inclusão da população negra e as ações concebidas pela SEPPIR, como o Programa Brasil Afirmativo estão prontas para serem executadas.

Ele citou como exemplo bem sucedido a aprovação pelo Congresso e a sanção pela Presidente Dilma Rousseff da Lei das cotas. “As próprias cotas foram muito em função do esforço que fizemos de convencimento com os parlamentares. Além disso estamos com outras questões se consolidando na área da cultura, por exemplo. Outra coisa que está próxima de consolidar é o sistema de monitoramento das ações do Governo que vai fazer com que a SEPPIR acompanhe as ações de todos os ministérios”, assinalou.

No lugar de Theodoro fica Lucy Góes, respondendo interinamente até a nomeação do substituto. Da equipe na secretaria executiva sai com ele, Silvana Rezende, chefe da assessoria técnica, que é funcionária da ANATEL.

Dever cumprido

O secretário executivo da SEPPIR disse que sai com a consciência do dever cumprido. “Em linhas gerais o que tinha de fazer foi feito. Temos um Plano de trabalho, sabemos quais as ações, quais os objetivos, estamos finalizando o nosso Plano de trabalho na secretaria executiva”, afirmou.

Mágoa? “De jeito nenhum. É uma questão técnica. Existem pontos de vista diferentes. É só uma questão de divergência de pontos de vista”, garantiu.

Theodoro disse que se tivesse de dizer algo a ministra Luiza Bairros, apenas lhe diria para tocar em frente. “Diria para que ela continue tocando o barco. As diretrizes estão construídas. Está tudo aí. Agora é tocar o barco da melhor forma possível “, acrescentou.

Fora da SEPPIR, ele afirmou que vai tirar uma semana para descansar antes de voltar ao Senado, onde é membro do quadro de consultores legislativos desde 2003.  Doutor em Economia pela Université Paris I – Sorbonne é considerado um técnico competente e com capacidade política de diálogo com todas as correntes do movimento negro ligadas ou não a partidos.

 

Da Redacao