Brasília – O Secretário Executivo da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Mário Lisboa Theodoro, está demissionário há cerca de um mês e sua saída da equipe da ministra chefe Luiza Bairros poderá ser anunciada oficialmente a qualquer momento.

Theodoro é mais uma vítima da disputa política que opõe o grupo de assessores diretamente ligados a Bairros, com atuação em seu gabinete, e a secretaria executiva comandada por ele desde o início da atual gestão.

A gota d’água para a saída do secretário executivo, segundo apurou Afropress, teria sido divergências sobre a quem deveria caber a execução do Plano Brasil Afirmativo – concebido, elaborado por Theodoro e que está pronto desde o final do ano passado. O Plano deve ser lançado pelo Governo até o dia 21 de março – Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial declarado pela ONU, e prevê ações relacionadas a promoção da igualdade racial.

De um lado, por ter sido o gestor responsável pela sua elaboração, Theodoro tinha a expectativa de poder implementá-lo; de outro, o grupo de "assessoras" vinculado ao gabinete da ministra pretendia que fosse executado pela Secretaria de Ações Afirmativas, liderada por Ângela Maria de Lima Nascimento, de confiança da ministra.

Quando ficou sabendo que não teria participação na execução de um Plano concebido por ele próprio, Theodoro entendeu que nada mais tinha a fazer na SEPPIR e teria decidido “jogar a toalha” e entregar o cargo. A decisão já teria sido comunicada a ministra Luiza Bairros, que teria lhe pedido para aguardar no cargo até o anúncio do substituto.

A mudança ocorre num momento considerado delicado para a ministra, uma vez que, embora o país viva um momento favorável às políticas públicas de cotas e de ações afirmativas (decisão favorável às cotas para negros e indígenas no Supremo, adoção da Lei 12.711/2012 pela presidente Dilma Rousseff), Luíza Bairros encontra dificuldades para tornar realidade políticas públicas inclusivas e faz uma gestão considerada "discreta" na Esplanada.

Racha político

As divergências entre o gabinete de Luiza Bairros e a secretaria executiva não são recentes. Desde o ano passado as titulares das duas principais secretarias – Anhamona de Brito e Ivonete Carvalho, que ocupavam respectivamente, a Secretaria de Políticas de Ações Afirmativas (SPAA) e a Secretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais (SECOMT), foram exoneradas.

As duas, que se opuseram aos métodos utilizados por assessoras ligadas a Bairros, foram substituídas, em fevereiro do ano passado, respectivamente, por Ângela Maria Lima do Nascimento, de Pernambuco, e Silvany Euclênio Silva, que já ocupava o cargo de diretora de Programa da SEPPIR – ambas do grupo político de ONGs que dá sustentação e apoio à ministra, desde o início da sua gestão.

Segundo avaliação de uma fonte que acompanha a disputa política na SEPPIR, “todo mundo que bateu de frente com o gabinete da ministra caiu”. “Esse pessoal que a rodeia manda na agenda e a blinda, é muito relacional e revanchista. Não sabe operar políticamente”, acrescenta a mesma fonte.

Quem é

Mário Lisboa Theodoro é doutor em Economia pela Université Paris I – Sorbonne e pertence ao quadro de consultores legislativos do Senado Federal desde 2003, onde ocupou a função de responsável pela área de capacitação e pela montagem do Mestrado em Políticas Públicas. É considerado um técnico competente e com capacidade política de diálogo com todas correntes do movimento negro ligadas ou não a partidos.

O perfil do secretário executivo – que alia capacidade técnica com abertura do diálogo – acabou por acirrar a característica da ministra que, embora reconhecida como técnica como passagem pela UNESCO, teria dificuldades para dialogar com as correntes do movimento negro, inclusive, do PT – partido a qual é filiada mas sem histórico de militância.

 

Da Redacao