S. Paulo – O Secretário de Justiça e Defesa da Cidadania, Hédio Silva Jr., prometeu durante encontro com lideranças negras, promovido pelo Conselho da Comunidade Negra de S. Paulo para discutir ações de cidadania, encaminhar ofício ao Ministério Público de S. Paulo solicitando a designação de um Promotor Especial para cuidar das investigações de crimes eletrônicos, inclusive o de racismo.
A promessa foi feita, em resposta a fala do presidente da ONG ABC SEM RACISMO, jornalista Dojival Vieira, para quem a saída do Promotor Christiano Jorge Santos, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do comando das investigações poderá representar um retrocesso na luta para barrar a onda de racismo na Internet.
Santos, que foi o responsável pela abertura das investigações no início do ano, foi removido, a pedido, para a 1ª Promotoria Criminal do Fórum da Barra Funda, na Capital. Ele chegou a identificar cinco responsáveis por mensagens e sites com ataques à população negra na Internet e apresentou denúncia na Justiça contra pelo menos um deles – o estudante Leonardo Serra. A denúncia foi rejeitada pela juíza da 16ª Vara Criminal, porém, o MP recorreu e aguarda uma sentença favorável do Tribunal de Justiça de S. Paulo, autorizando a abertura do processo.
Com a saída do Promotor, professor da PUC e autor de livro sobre a discriminação racial, as investigações passaram a ficar à cargo dos três promotores do Gaeco, que acumulam essa tarefa com a investigação de outros crimes.
Preocupada em que as investigações desses casos continuem sendo prioridade no MP de S. Paulo, A ONG ABC SEM RACISMO pedirá esta semana uma audiência com o Secretário da instituição, Eder Segura, para solicitar a designação de um promotor que fica encarregado especialmente pela investigação de crimes de racismo na Rede, reivindicação que, segundo Hédio Silva Jr., a Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania vai encampar.
Encontro – O encontro promovido pelo Conselho da Comunidade Negra, aconteceu no Hotel Shelton, Centro de S. Paulo, e além de técnicos da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania, serviu para a abertura do debate entre os conselheiros sobre a campanha de Desarmamento, tendo em vista o plebiscito previsto para outubro.
A discussão ocorreu no debate sobre “Comércio de Armas de Fogo e Munição”, em que Mariana Montoro Jens, do Instituto Sou da Paz, defendeu o “sim” ao desarmamento, enquanto que o “não” foi defendido pelo coronel aposentado da PM Jairo Paes de Lira, que falou sobre aspectos jurídicos e constitucionais do que ele considera como “direito à legítima defesa”.

Da Redacao