Rio Claro/SP – Piorou o estado de saúde do guardador de carros Benedito Oliveira, de 71 anos, espancado por três jovens neonazistas na madrugada de sábado para domingo (06/04), em Rio Claro, cidade de 187 mil habitantes, situada a 190 Km de S. Paulo, na região de Piracicaba. O estado de saúde do idoso é muito grave, de acordo com boletim médico divulgado na tarde deste domingo (07/04). Ele está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa da cidade.

Dois dos agressores estão presos e o terceiro está sendo procurado pela Polícia. Segundo os guardas municipais que efetuaram a prisão  um deles confessou: “negros têm que morrer mesmo”, teria dito. Estranhamente, embora fotografados, os nomes dos criminosos não foram divulgados pela Polícia, embora sejam maiores de idade e, portanto, penalmente responsáveis.

Afropress vem denunciando a postura da Polícia e de veículos da grande mídia que, acredita-se,  por ignorância, deixam de revelar os nomes de criminosos acusados de crimes de racismo e de intolerância, protegendo-os com o anonimato.

No caso de Rio Claro, os acusados chegaram a ter suas fotos divulgadas com tarjas – tratamento normalmente destinado a crianças e adolescentes, conforme recomenda o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Os nomes, porém, foram mantidos sob sigilo.

Estado gravíssimo

O médico Hegberto Gustavo do Carmo disse que Oliveira tem um edema no cérebro e a equipe médica aguarda redução do inchaço cerebral nas próximas 48 horas para apresentar um diagnóstico. “Fizemos duas tomografias e a segunda apresentou redução do inchaço, mas o edema existe”, explicou ao site G1. Além do trauma, o idoso apresenta lesões na face, resultado dos chutes na cabeça que recebeu do trio. “A lesão foi para agredir mesmo, não atingiram o tórax, nem braço, só a cabeça”, afirmou o médico.

O filho de Oliveira, José Donizete Santana de Oliveira (foto), disse que os médicos já comunicaram a família que o pai, se sobreviver, poderá ficar com sequelas. “A agressão foi para execução e estamos perplexos”, afirmou.

Ele ainda estava chocado com a situação com que o pai foi encontrado depois de ser atacado pela gangue neonazista. “Eu ainda não sei o porquê disso. Ele está terrível e a gente fica até impressionado de ver”, afirmou.

O guardador de carros mora em Ipeúna e costuma ir a Rio Claro para complementar a renda guardando carros em eventos e festas no bairro Santa Cruz. “Ele é conhecido ali e nunca mexeu em nada. Esse foi o primeiro incidente”, afirmou o filho.

Os criminosos presos, um de 20 anos e outro de 21, são do Paraná e estavam na cidade a trabalho, segundo informaram. De acordo com a Polícia, eles exibem nos braços e outras partes dos corpos tatuagens de cunho racista e a polícia do Paraná já informou que são suspeitos de integrar um grupo neonazista. “Ele falou que não gostava de negro e que negro tinha que morrer mesmo”, disse o guarda municipal José Carlos Lopes de Barros.

Segundo a Guarda Civil Municipal, por volta das 2h30 da madrugada receberam a denúncia de que havia um senhor caído em uma calçada e que tinha sido vítima de agressão. Os criminosos foram encontrados perto do local e levados à Delegacia. Quando eram levados para a Delegacia, de acordo com os guardas municipais diziam frases como “paulistas são todos burros”, “os pobres tinham que morrer” e também que “não gostavam de velhos”. (Crédito da foto: Rodrigo Sargaço/EPTV).

Da Redacao