Brasília – A direção das Lojas Americanas de Brasília deverá ser processada por racismo, em virtude de seguranças à serviço da empresa terem submetido a constrangimentos públicos, na tarde da última quarta-feira ( 24/07), cinco jovens negros do Grupo de Dança Galpão das Artes, de Feira Santana, na Bahia, que participam do Festival Internacional de Dança de Brasília.
A ação neste sentido já está sendo preparada pelo advogado Júlio Romário da Silva, representante da Associação Nacional dos Advogados Afrodescendentes (ANAAD), indignado com as humilhações praticadas pelos seguranças.
Segundo o advogado, na tarde da última terça-feira (24), o grupo de cinco bailarinos negros, que participam do 17º Festival Internacional de Dança de Brasília, entrou na filial das Lojas Americanas, no Conjunto Nacional, para comprar uma caixa de chocolates, que seria oferecida a uma das componentes que fazia aniversário.
A coordenadora do Grupo, Ana Lúcia Bahia, contou que os seguranças se aproximaram e acusaram os jovens de furto. Recolheram as bolsas e fizeram a revista diante do público, espalhando os pertences no chão e pedindo que os mesmos exibissem as mercadorias que teriam sido furtadas.
As humilhações não pararam aí. Os cinco jovens sofreram ofensas verbais e os objetos pessoais foram chutados pelos seguranças. A situação ficou ainda pior quando um dos meninos mostrou a nota fiscal com o pagamento pela caixa de chocolates.
O caso terminou no 2º DP da Asa Norte, onde está registrado Boletim de Ocorrência por crime de crime de racismo, injúria qualificada por preconceito, com base no art. 140 do Código Penal.
Abalados
A situação deixou muito abalados os 54 integrantes do Grupo Galpão, que está em Brasília desde o último dia 8 de julho, participando das atividades artísticas e oficinas do Seminário Internacional de Dança. O Seminário será encerrado no domingo, 29 de julho.
O Grupo Galpão das Artes, segundo a coordenadora Ana Lúcia Bahia, é apoiado pela Unicef, Unesco e também pelo Projeto Criança Esperança, da Rede Globo, por promover o acesso de jovens carentes, de maioria negra, a dança como forma de inclusão social. “Lutamos muito para que estes adolescentes e crianças – os integrantes do grupo tem idade entre 9 e 21 anos – elevem a sua estima. Para nós o ato representou uma agressão e repudiamos o racismo que ainda existe em nossa sociedade”, disse, lembrando que, na confusão, o documento de identidade de um dos jovens foi extraviado.
A coordenadora do Festival Internacional de Dança, Gisele Santoro, ouvida pelo jornalista Oscar Henrique Cardoso sobre o caso, se disse estarrecida. “Não podemos aceitar que cidadãos ainda sejam discriminados e suspeitos de roubo por causa de sua cor de pele”, afirmou.
O advogado Júlio Romário da Silva explica que o episódio ainda tem o agravante de ter ocorrido diante do público presente no interior da loja. “Na verdade, a ação cível será contra as Lojas Americanas, onde será requerido, na justiça, a indenização por danos morais e materiais”, explica o advogado.
A Assessoria de Imprensa das Lojas Americanas, que fica no Rio, prometeu em nota que vai apurar o caso.

Da Redacao